Simpatizante do MST é executado com 9 disparos
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terça-feira, 09 de dezembro de 1997
Agência Estado 
Santa Vitória
A Polícia Civil de Santa Vitória, no Pontal do Triângulo Mineiro, investiga o assassinato do vereador Luismar Pereira (PMDB), de 41 anos, morto com nove tiros por um desconhecido, na noite anteontem. O diretor-nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Ênio Bonenberger, acredita que o crime esteja relacionado aos conflitos agrários no município.
No fim de novembro, cerca de 120 trabalhadores rurais invadiram e ocuparam por mais de 12 horas o prédio da prefeitura, exigindo uma audiência com o ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann. Eles queriam pedir a aceleração do processo de desapropriação da Fazenda Jubran, às margens da BR-464, da qual haviam sido retirados por policiais militares, dias antes.
O vereador Pereira era uma das pessoas que mais ajudava o MST na região, abrindo portas para que negociássemos com autoridades locais e fazendeiros, e doando óleo diesel para as colheitas nos assentamentos, disse Bonenberger. Santa Vitória tem domínio total dos fazendeiros que não admitem que haja movimentos sociais e o vereador assassinado, embora não participasse diretamente da nossa luta, sempre se pautou por tentar modificar essa situação, acrescentou.
Pereira acabara de voltar de uma festa, por volta das 21h30 de anteontem, quando um homem não-identificado bateu à porta dele. De acordo com a Polícia Militar, o desconhecido teria pedido ajuda para levar uma mulher grávida ao hospital. O vereador deixou a mulher e o filho em casa e saiu com o provável assassino no próprio carro, um Uno azul, placas GLR-7475 de Santa Vitória. Ele foi morto dez minutos depois, de acordo com levantamentos da perícia. O corpo, atingido por nove balas de calibre 38 foi deixado dentro do veículo, em uma rua do centro da cidade.
O delegado Ademar Carvalho Leite, responsável pelo inquérito, é cauteloso ao falar sobre o caso. Por enquanto, não posso apontar nada que tenha motivado este crime, seja no aspecto político e ideológico, ou mesmo particular, afirmou. Leite ouviu algumas testemunhas ontem, entre elas a mulher de Pereira, mas não conseguiu sequer uma descrição do criminoso. O policial acha difícil que o assassinato tenha a ver com conflitos de terras. Estou em Santa Vitória há quatro anos e nunca registramos um crime com essa característica, disse.


