Simon volta a atacar novo ministro do Desenvolvimento
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quarta-feira, 08 de setembro de 1999
Por César Felício 
Brasília, 09 (AE) - O senador Pedro Simon (PMDB-RS) voltou hoje a atacar o novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias, afirmando que haverá conflito de interesses com a ida dele para o governo, pelo fato de ter presidido a empreiteira Camargo Corrêa. O senador lembrou que Tápias terá o comando do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que concede financiamentos para o setor privado. Durante o pronunciamento no plenário do Senado, Simon criticou o jornal "O Estado de S.Paulo" e recebeu o apoio do senador Roberto Requião (PMDB-PR).
O senador gaúcho irritou-se com um editorial publicado ontem (08) no jornal, em que era criticado pelos argumentos que usou para se opor à indicação de Tápias. "Que saudades do nosso velho Estadão!; que saudade do tempo em que o pai e o filho estavam vivos!; no tempo do Júlio de Mesquita Filho, era uma linha reta; podia-se discordar, mas tinha de se aplaudir", disse.
Simon afirmou que ajudou a difundir o jornal no Rio Grande do Sul, durante o regime militar. "O Estadão, eu levei pelo Rio Grande afora na época do regime militar; aprendi a cozinhar com as receitas da D. Benta e reli Camões nas páginas censuradas do jornal." Segundo Simon, contudo, o jornal colocou-o "numa posição de ridículo". Ele acusou o editorialista de ser mentiroso, ao afirmar, segundo o senador, que ele estaria pregando uma espécie de reserva de mercado para políticos profissionais nos principais cargos administrativos. "Ele mente quando diz que eu acharia melhor que fosse um político (o titular do ministério); é mentira!; em nenhum momento eu afirmei que o cidadão deveria ser político", afirmou
acrescentando que é contra a presença de Tápias no governo por outros motivos e que, embora esteja na política há 40 anos, não é político profissional.
"O sr. Tápias tem 35 anos de banco e o que ele entende é de colocar dinheiro e ganhar juros; daí, ele foi para uma empreiteira; na empreiteira, o que se sabe fazer, é bastante obra para cobrar e pegar o dinheiro do governo; que sensibilidade social ele tem?", indagou. Antes de ser presidente da Camargo Corrêa, Tápias foi presidente da Febraban e vice-presidente do Bradesco.
De acordo com Simon, Tápias prejudicou a ação da Receita Federal, ao ingressar com uma ação judicial impedindo a transferência de dados do recolhimento da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) para o Fisco, quando presidia a Febraban. O parlamentar gaúcho lembrou ainda que o Bradesco esteve envolvido nas investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Precatórios, quando Tápias trabalhava na instituição.
Foi a deixa para Requião, relator da antiga CPI, aprofundar os ataques a Tápias e ao jornal. "O editorialista gostaria que os políticos fossem amadores e os lobbistas profissionais", afirmou Requião, acrescentando que "o Estadão e seu editorial calaram quando eu denunciei o Bradesco
na CPI dos Precatórios".
De acordo com o senador, "o Bradesco deu sustentação à patifaria dos precatórios e o jornalão, que deu ampla cobertura à CPI, jamais teve coragem de avançar na denúncia do comportamento dos bancos privados brasileiros, notadamente, o Bradesco". Requião lembrou que o antigo presidente do banco, Lázaro de Mello Brandão, teria tratado pessoalmente com o ex-governador de Alagoas Divaldo Suruagy a compra de títulos públicos irregulares do governo estadual. "O sr. Tápias, tão elogiado pelo editorialista do Estadão, nada mais era do que o vice-presidente do Bradesco, presidente da Febraban e, posteriormente, presidente da Camargo Corrêa, aquela dos contratos de pedágio que acabam sendo questionados pelo próprio governo federal." A conclusão de Requião é que Tápias "é um lobbista, e, mais uma vez, o presidente Fernando Henrique, tendo de escolher entre o Brasil e os lobbies, cedeu aos rentistas".
Requião defendeu a participação de políticos na administração, afirmando que "é preciso que existam políticos profissionais, pessoas que se interessem em tempo integral sobre a administração do País e ridículo seria que tivéssemos lobbistas profissionais, como quer o editorialista do Estadão".


