Porto Alegre, 24 (AE) - O senador Pedro Simon (PMDB-RS) considerou "infeliz" e "grosseiro" o anúncio feito ontem pelo secretário do Tesouro Nacional, Eduardo Guimarães, de que pretende sacar recursos do ICMS do Rio Grande do Sul para completar o pagamento da dívida deste mês do Estado com a União. "Desta vez o Antônio Carlos Magalhães (presidente do Senado) tem razão, quando diz que está na hora de acabar com esta pendenga", pois desde que os novos governadores assumiram "não se fala em outra coisa", disse.
Na opinião do senador, faltou "um mínimo de senso político para o pessoal do Tesouro" na semana em que os governadores vão se reunir com o presidente Fernando Henrique Cardoso, em Brasília. "O governador Olívio Dutra já disse que vai mas parece que estão querendo que ele não vá", comentou.
Para Simon, a audiência de sexta-feira não será conclusiva, mas o presidente Fernando Henrique deve ter "competência" para não fechar as portas ao entendimento com os Estados. Por causa disso, ele também acredita que o saque dos recursos do ICMS do Rio Grande do Sul não deverá se concretizar até lá, pelo menos. Se isso ocorrer, "soaria como provocação", disse.
O senador entende que ninguém ganha com as retaliações, que nesta semana já provocaram o bloqueio de R$ 17,9 milhões em recursos do Fundo de Participação aos Estados (FPE) e do IPI-Exportações destinados ao Rio Grande do Sul. Ontem o Tesouro pediu ao Banco do Brasil que retire R$ 17,1 milhões da conta do Estado no Banrisul onde são depositados os recursos do ICMS.
O argumento foi o de que a União não aceitou os R$ 35 milhões em imóveis oferecidos pelo governo gaúcho como parte do pagamento em juízo de uma parcela de R$ 47 milhões vencida dia 15. A questão, porém, está sub judice no Supremo Tribunal Federal (STF).

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