Brasília, 16 (AE) - Uma queda-de-braço na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos, esperada para a próxima semana, vai decidir o rumo político da comissão. Os 11 senadores que compõem a CPI terão de tomar uma posição sobre a presença na comissão do deputado Aloízio Mercadante (PT-SP) - autor do pedido da CPI Mista dos Bancos - para apresentar sua denúncia de vazamento de informações privilegiadas do Banco Central, provocando lucros enormes a diversos instituições financeiras.
A sugestão de convidar o deputado Mercadante para depor na CPI do Senado foi apresentada hoje pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS), durante reunião entre os integrantes da comissão. Embora aprovada por seis dos oito senadores presentes na reunião
a idéia de Simon foi descartada pelo vice-presidente da CPI, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), aliado do governo. "Querem trasnformar essa CPI em uma CPI Mista e eu fui totalmente contrário à comissão mista, quando foi proposta pelo Mercadante", protestou Arruda.
O senador tucano atuou para preservar os interesses do governo na comissão de inquérito, mas admitiu que pode concordar com a ida de Aloízio Mercadante posteriormente, depois de definidos os rumos da CPI. "Nessa hipótese, eu não teria contestação", ressaltou ele.
Simon quer que o deputado Mercadante apresente à CPI os dados levantados por ele durante os meses de fevereiro e março, que demonstram que nove bancos lideraram uma mudança fantástica no mercado de câmbio exatamente no período da desvalorização, o que levanta suspeitas de vazamento de informações privilegiadas. Os bancos cujos movimentos foram apurados por Mercadante são Morgan, ING, Garantia, BBM, Pactual, Banco de Boston, Citibank, Matrix e Beal.
Seis desses bancos tiveram uma mudança radical de posição um dia antes da maxidesvalorização cambial, para uma posição compradora. O mercado, anteriormente, era vendedor em R$ 826 milhões, e virou comprador em 206 milhões no dia 12, véspera da mudança da política cambial. "Eu tenho uma suspeição de fraude", afirmou Mercadante, afirmando estar à disposição da CPI dos Bancos para ajudar nas investigações.
"Se a CPI for para valer, estarei disposto a contribuir", insistiu Mecadante, que fez a denúncia pela primeira vez na Câmara em 23 de fevereiro e enviou requerimento de informações ao Banco Central. O senador Simon defendeu a presença de Mercadante. "Ele foi a primeira pessoa a tratar dessa idéia e a que trouxe a exposição mais longa e completa, ele tem muito a nos contar", afirmou Simon. "Ele vai ser ouvido, porque até o relator João Alberto (PMDB-MA) - e integrantes do PFL e PSDB - os senadores Eduardo Siqueira Campos (PFL-TO) e Lúcio Alcântara (PSDB-CE) - concordaram comigo.
"Esta idéia não vai ser aprovada, porque é uma tentativa de tumultuar os trabalhos da CPI", rebateu Arruda. Mercadante não quis fazer um prognóstico: "Posso dizer que estou sentindo um certo empenho da CPI em tentar apurar", disse ele, ao acrescentar: "O que é difícil aceitar é que eu poderia estar participando ativamente da apuração e atuando na CPI se alguns dos próprios senadores da CPI não tivessem boicotado a CPI Mista."

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