Simon propõe segurança para Cacciola depor na CPI
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quarta-feira, 14 de abril de 1999
Por Claudia Carneiro, Ribamar Oliveira e Vânia Cristino 
Brasília, 15 (AE) - O senador Pedro Simon (PMDB-RS) pediu hoje, durante depoimento do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, à CPI dos Bancos, a prisão do dono do Banco Marka, Salvatore Cacciola, e do responsável pela decisão de socorro financeiro ao Marka e ao banco FonteCindam. O senador gaúcho também pediu proteção policial a Cacciola, que se encontra no exterior, para vir à CPI prestar esclarecimentos. "Ele é um novo PC Farias e a gente devia dar garantia de vida a Salvatore, para evitar que, a qualquer hora, tenhamos a notícia de um crime passional praticado por uma namorada brigando pela fonte de renda", sugeriu.
O senador gaúcho se disse incrédulo com o fato de o Banco Central "dar dinheiro" - a operação de venda de dólares abaixo da cotação de mercado - a uma instituição que não tinha credibilidade. "Como disse o presidente da República, o Salvatore tinha de estar na cadeia, sim, mas tem de estar na cadeia também o cidadão que tomou essa decisão de socorrer um banco nestas condições", sustentou Simon. "Não quero fazer caça às bruxas, mas eu sei - eu sei! - que tem funcionário no Banco Central que ganha grosso", completou o senador, numa referência às declarações atribuidas a Cacciola na revista Veja, de que há funcionários do BC muito bem pagos pelo mercado.
Pedro Simon chegou a acusar o BC de "estar, no fundo, muito mais do lado dos banqueiros do que do sistema financeiro". A insatisfação com as respostas de Armínio Fraga e do diretor de Fiscalização do BC, Luiz Carlos Alvarez, foi compartilhada por outros senadores. "Para mim, é absolutamente insustentável a não intervenção dos bens dos bancos Marka e FonteCindam pelo Banco Central no momento oportuno", cobrou o senador Roberto Requião, ressaltando que este "erro imperdoável" havia sido corrigido pela CPI dos Bancos.
Foram vários os senadores que cobraram do presidente do BC as provas legais para a operação de socorro às duas instituições. Também o valor do prejuízio do Banco Central com a venda de dólares aos dois bancos a preços inferiores foi insistentemente indagada a Armínio Fraga, que por fim limitou-se a dizer que a informação poderia ser extraída do relatório que o BC entregava à CPI naquele momento. Mas também era visível a dificuldade dos senadores para formular perguntas a fim de esclarecer a suspeita atuação do Banco Central e as reações do mercado dias antes da maxidesvalorização, assim como o complexo argumento do BC para justificar suas operações financeiras para evitar uma crise maior.
Fraga dava respostas incompletas a várias perguntas, sob a justificativa de que não participou da operação e não era presidente do BC à epoca. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) não perdoou. "Eu esperava que Vossa Senhoria estivesse bem mais a par das informações, já que o BC há uma semana investiga os fatos", cobrou o senador. "Vossa Senhoria cometeu uma injustiça comigo", respondeu Fraga, que agradeceu a todas as perguntas dos senadores durante as seis horas e quinze minutos em que permaneceu na CPI.


