Simon pede demissão de Carvalho
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quinta-feira, 02 de setembro de 1999
Por Rosa Costa 
Brasília, 03 (AE) - O senador Pedro Simon (RS), recém-lançado candidato a presidente da República pelo PMDB gaúcho, subiu hoje à tribuna para defender o afastamento do governo do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Clovis Carvalho, a quem chamou de "irresponsável e demagógico". Simon cobrou uma posição do presidente Fernando Henrique pelas "afirmações irresponsáveis" de Carvalho contra o ministro da Fazenda, Pedro Malan. "Ou o governo toma uma posição ou cai no ridículo junto com o senhor Clóvis", defendeu. "Eu demitiria o senhor Clóvis e aproveitaria a oportunidade para escolher um homem que tivesse credibilidade, que tivesse confiança e que satisfizesse a Nação."
Pedro Simon perguntou por que Carvalho, "que ficou 4 anos e 6 meses ao lado do presidente da República", nunca pediu ousadia ou o que quer que fosse para o crescimento do País. "De repente, porque considera uma tese simpática, porque o PSDB, na sua maioria está pensando dessa forma, ele vem com quatro pedras". Para o senador, ao chamar Malan de covarde, Carvalho infringiu o código de ética do governo "ao ofender e humilhar" seu colega". "Se eu fosse o presidente mandaria o senhor Clóvis para uma embaixada bem longe, a da China", sugeriu. "Aliás, se eu fosse o presidente eu mandaria o senhor Clóvis para o olho da rua."
Simon disse que não considera o ministro Malan "um homem covarde, mesmo divergindo de pontos na condução da economia, como da privatização. "Quando tenho que agredir, agrido, mas meço as palavras", defendeu. "Senhor Malan é um homem de bem, não me parece que ele seja covarde". O senador deu razão ao ex-senador José Richa (PSDB-PR) e ao ex-deputado Euclydes Scalco (PSDB-PR) por terem recusado o convite de Fernando Henrique para serem ministros. De acordo com Pedro Simon, eles disseram: "Não posso aceitar. Como é que eu vou fazer coordenação política se não tenho ligação direta com o presidente da República? Vou fazer ligação com o senhor Clóvis".
Para Simon, Clóvis Carvalho saiu da Casa Civil "pela exigência de todos". Foi mais longe nas suas críticas, ao dizer que Carvalho, que foi seminarista, "ficou com todos os defeitos e não levou nenhuma das qualidades dos jesuítas".
O senador Ademir Andrade (PSB-PA) também subiu a tribuna para informar que, de 1995 a 1998, Clóvis Carvalho viajou 370 vezes em aviões da Forças Aérea Brasileira (FAB). "Foi quase uma viagem a cada 3 dias", disse o senador, que qualificou esse tipo de procedimento como "mordomias do governo Fernando Henrique". "Isso implica em muito gasto de dinheiro."
Segundo Andrade, a maior parte das rotas feitas pelo ministro é coberta por aviões de carreira. O senador disse que recebeu os dados em resposta ao requerimento que encaminhou, em maio, ao comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Werner Bruder. Na ocasião, conforme lembrou, o fato em evidência era a viagem realizada por Carvalho e seus familiares para Fernando de Noronha.
Ademir Andrade queixou-se do fato de o Comando da Aeronáutica informar que não registrou os nomes dos acompanhantes do então ministro da Casa Civil. A seu ver, se isso ocorreu realmente, "foi uma omissão do dever". Para ele, o ministro deve desfrutar de muito prestígio com o presidente Fernando Henrique, "pois nada sofreu depois de confirmadas as denúncias".


