Brasília, 05 (AE) - Ao contrário de outros peemedebistas
o senador Pedro Simon (PMDB/RS) cobra publicamente uma reação do ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, à denúncia sobre o pagamento de propinas na liberação de precatórios pelo DNER, e do senador Luiz Estevão (DF), sobre a insistência em ocupar uma sub-relatoria do Plano Plurianual (PPA) mesmo sendo investigado pela CPI do Judiciário. Do ministro, Simon espera que ele compareça ao Congresso para tirar dúvidas que ainda possam existir sobre o caso. Já de Estevão, o senador aconselha-o a ter "um gesto de desprendimento" e largar o cargo.
Tido como um "degolador" de ministros, depois que a saída dos ministros Luiz Carlos Mendonça de Barros e Clóvis Carvalho coincidiu com discursos em que pedia o afastamento dos dois, Pedro Simon acha que a situação agora, com relação a Padilha, Estevão e o ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca -acusado de envolvimento em irregularidades na autorização de bingos-, é menos grave. E que, por ora, deve se limitar a ser apurada.
"Falei com o Eliseu Padilha e ele me disse que faz questão de vir depor na Câmara ou no Senado para prestar esclarecimentos", declarou Simon. "É importante que ele venha. Já com relação ao ministro dos Esportes, além de estar sendo cuidado pelos senadores do Paraná, será feita uma CPI dos Bingos para investigar as acusações envolvendo seu ministério."
Segundo o senador, a atitude de Padilha, que afastou o diretor de administração e finanças do DNER, Gilson Zerwes de Moura, e o procurador-geral Pedro Elói Soares até a apuração do caso, satisfez ao PMDB. Padilha teria hoje se encontrado com líderes e vice-líderes da Câmara. "O ministro fez um longo esclarecimento e eles se mostraram satisfeitos", contou Simon. "Isso não impede que Padilha venha ao Congresso trazer todos os esclarecimentos que sejam solicitados."
Já quanto à permanência do senador Luiz Estevão na sub-relatoria do PPA, Simon é contra. " Acho que ele deveria ter um gesto de desprendimento e renunciar à vice-relatoria, porque se criou uma situação e cabe a ele tomar uma decisão para solucionar." Estevão está sendo investigado pela CPI do Judiciário em razão de suas transações financeiras com o empreiteiro Fábio Monteiro de Barros, responsável pela construção do Forum Trabalhista de São Paulo, onde houve desvio de recursos de cerca de R$ 170 milhões. "Ele tem dado esclarecimentos, mas os trabalhos da comissão ainda não foram concluídos", disse Simon.

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