Simon diz que FHC divide Presidência com ACM
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quarta-feira, 14 de julho de 1999
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 15 (AE) - O senador Pedro Simon (PMDB/RS) disse hoje que o presidente Fernando Henrique Cardoso está dividindo a Presidência da República com o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL/BA). Em entrevista ao programa Frente a Frente, da TVE/RS, o senador gaúcho declarou que ACM manda "igual", mas com uma vantagem em relação ao presidente formalmente eleito: "Ele entra quando quer e sai quando quer. Escolhe os assuntos em que vai entrar e o Fernando Henrique não."
Como exemplo citou o episódio da prorrogação da medida provisória do Regime Automotivo do Nordeste para beneficiar a Ford com incentivos fiscais. "Os caras (aliados de ACM) prorrogaram uma medida que estava extinta, que não poderiam prorrogar. Como resultado, criaram um problema com a Argentina, com o mercado internacional e taí o Covas e todo mundo berrando".
Segundo Simon, se FHC vetar a emenda da MP transformará ACM em "rei da Bahia". Se confirmar, "ficará ainda mais refém do Antonio Carlos". Diante disso, para Simon, FHC adotará "uma solução dos tucanos", ou seja, "vai vetar e fazer outra igualzinha"...
Para o senador, existem lideranças do PFL e do PSDB que não querem o PMDB no governo federal. Citou como exemplos os tucanos Tasso Jereissati, governador do Ceará, e "o líder do partido no Senado, senador Sérgio Machado". Ele defendeu a manutenção do partido no ministério, alegando que a gestão de FHC "está tão no chão" que se o PMDB saísse poderia criar "um problema institucional". E iria "entregar o governo nas mãos do senador Antonio Carlos, uma figura imprevisível".
Segundo Simon, os integrantes do ministério que não funcionam são justamente aqueles "da cota pessoal" do presidente. "O Clóvis Carvalho é uma unanimidade: todo mundo é contra", declarou. Também disse que o presidente "não teria coragem" de tocar nos ministros do PFL.
Líder do governo no Senado durante o período Itamar Franco, Simon elogiou a passagem de Fernando Henrique no Ministério da Fazenda. "Foi um ótimo ministro, mas porque havia alguém acima dele pra dizer não, coisa que ele não sabe", avaliou. E, na época, Itamar assumia a tarefa de "homem mau, de ranzinza", que era capaz de dizer não. "Itamar não recebeu nem o presidente da Globo, o Roberto Marinho", relembrou.
Hoje, de acordo com Simon, faltaria esta autoridade. "Alguém para dizer ao ACM que não dá este negócio aí da Ford dessa maneira; este negócio dos R$ 5 bilhões para a prefeitura de São Paulo não dá.". O presidente, segundo o senador gaúcho, teria que falar também "Olha, Clóvis (Clóvis Carvalho), tu tens que ir embora. Tu és meu amigo, eu gosto de ti, mas toca pra fora! Ninguém gosta de ti, rapaz!"


