Simon diz que ACM marcou data para nova crise
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domingo, 05 de setembro de 1999
Por Rosa Costa 
Brasília, 6 (AE) - O senador Pedro Simon (PMDB-RS) criticou hoje da tribuna do Senado - três dias depois de ter pedido a demissão do então ministro do Desenvolvimento, Clóvis Carvalho - a iniciativa do presidente da Casa, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), de fixar um prazo de três meses para a economia, conduzida pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, começar a reagir.
Simon disse que ACM marcou o prazo para uma nova crise no governo, porque não acredita que 90 dias sejam sufientes para o País voltar a crescer. "Como aliado, ele deveria ter ligado para o presidente Fernando Henrique e dizer o que pensa, e não anunciar publicamente", defendeu.
Embora não falem em datas, é praticamente consenso entre os aliados governistas que a situação atual, com o mercado de empregos fechado, não pode continuar por muito tempo. De acordo com o líder do PMDB na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima (BA), mesmo os que priorizam a manutenção da estabilidade da economia no País estão impacientes. "Não estamos numa situação confortável", defendeu. "Nem nós, aliados, nem o próprio governo."
O líder disse que não se sente no direito de estabelecer para nem de pedir a saída do ministro, mas sim lembrar que não apenas Malan, mas todos os ministros têm que responder pelas suas atribuições. "É ele quem tem que arcar com o ônus do crescimento do Brasil", defendeu.
Geddel disse que, hoje, a equipe econômica mantém uma situação em que todas as perspectivas de crescimento estão depositadas "no mascate externo que vende o País pelo mundo para aumentar as exportações". "E isso não pode continuar assim", afirmou. "Tem que ter alguém se empenhando também por uma política de desenvolvimento, sem comprometer a estabilidade."
O deputado tucano Ubiratan Aguiar (CE) concordou com seu colega. Segundo ele, o PSDB deve "lutar fortemente" para que a segunda fase do plano econômico do País se fixe no desenvlvimento social do País. "Ninguém pode esconder a realidade", justificou. "A condução da política econômica de forma ortodoxa tem nos levado a uma situação de dificuldades."
Para o deputado, Malan e seus auxiliares da equipe econômica têm que ter em conta que cabe ao Estado promover a melhoria da qualidade de vida da população. "E não fazer como hoje, em que as pessoas têm que se estruturar para atender ao Estado".
"O Malan tem agora uma responsabilidade maior do que tinha antes", frisou. "Ele chamou a si a responsabilidade de promover não apenas a estabilidade com também o crescimento."
Outro aliado governista, o deputado Ney Lopes (PFL-RN), disse que não discute as "boas intenções" do ministro da Fazenda, mas que isso não o exime da responsabilidade pelas dificuldades enfrentadas pelos brasileiros. "O ministro ora age como técnico, ora como político", afirmou. "Mas nós queremos é que ele faça um gol sem prejudicar a estabilidade econômica."


