Simon afirma que fará campanha sem anarquizar
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quinta-feira, 30 de setembro de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 01 (AE) - O senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse hoje que fará a campanha para a Presidência da República "sem anarquizar" nem comprometer a "governabilidade" do mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, que ainda tem mais três anos e meio pela frente. "Se o PMDB for para a oposição, a governabilidade desaparece, mais dia, menos dia", afirmou, numa alusão às declarações do governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), que quer o partido fora da base de apoio do presidente.
Simon reconheceu que "o governo está no chão em questão de credibilidade". Na opinião dele, Fernando Henrique "foi muito melhor ministro da Fazenda (no governo Itamar) do que está sendo presidente". "O Fernando Henrique como número dois é fantástico porque tinha o Itamar na hora de dizer o não, coisa que ele não sabe dizer", observou.
Embora reconheça que ainda terá de disputar a candidatura à Presidência com outros nomes do PMDB, como Itamar, o presidente nacional do partido e líder da legenda no Senado, Jáder Barbalho (PA) e os senadores Roberto Requião (PR) e José Sarney (AP), o senador afirmou que vai "percorrer o Brasil inteiro" para discutir "teses locais e nacionais".
De acordo com o pré-candidato peemedebista, a diferença em relação aos concorrentes dos demais partidos é que ele não pretende se limitar a "apontar as coisas que estão erradas". "O PMDB vai pegar uma proposta nova, importante, que tem de ser adotada; vamos pedir audiência ao presidente da República e dizer: presidente, isso aqui o PMDB acha que o sr. deve adotar"
afirmou.
"Se o Lula (presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva), o Ciro (Gomes, ex-ministro da Fazenda) e o Garotinho (Anthony, governador do Rio, do PDT) saírem a bater, o que vai ser?; o governo cai no vazio", indagou o senador. Ele não teme, com isto, o risco de ser tachado de governista. "Não é patriótico começar a campanha três anos e meio antes desmontando o governo", disse. "Não vamos torcer para que dê errado."
Entre as propostas que defenderá para a disputa eleitoral, o senador inclui o financiamento público das campanhas com o objetivo de evitar a corrupção. Ele reapresentou o projeto de lei que trata do assunto, que havia sido rejeitado na eleição passada. Simon também propõe que a campanha seja feita "ao vivo" na televisão, "como nos Estados Unidos". Para ele, o modelo atual abre espaço para o "show" televisivo, no qual "o candidato é vendido como se fosse um produto".


