O sequestrador Fernando Dutra Pinto, 22 anos, assim que invadiu a casa do apresentador Silvio Santos, no bairro do Morumbi, em São Paulo, não pediu dinheiro nem exigiu um helicóptero para fugir ou a presença do governador Geraldo Alckmin para se entregar, segundo disse ontem o empresário à Justiça. Para a defesa de Dutra Pinto, o depoimento descaracteriza a segunda denúncia de sequestro feita pelo Ministério Público (MP). No mesmo processo, ele será julgado pelo sequestro da estudante Patrícia Abravanel, filha de Silvio.
''Seria no máximo crime de ameaça, que é um delito que depende de representação da vítima'', afirmou a advogada Simone Badan Caparroz, que trabalha na defesa de Dutra Pinto.
Segundo o MP, ''o que Silvio Santos fez para tentar engabelar o sequestrador não muda o crime''. ''Para mim, a exigência e a ameaça estavam veladas, por isso houve sequestro'', disse o promotor do caso, Dimitrios Eugênio Bueri.
O apresentador contou que, ao ser abordado em casa por Dutra Pinto, o sequestrador disse a ele que ''pretendia fugir''. Um dia antes, ele tinha se envolvido em um tiroteio, no qual dois policiais morreram, e temia represálias.
O ''sequestrador perguntou se havia dinheiro em casa'', conforme está no depoimento, e Silvio o informou que tinha apenas R$ 800,00, mas que poderia arrumar mais. Silvio disse ainda que não sofreu ameaças.
Apesar de o dinheiro do resgate ter sido apreendido em 29 de agosto, Silvio ainda não recuperou os R$ 464 mil recolhidos em Barueri. O dinheiro foi encaminhado para o juiz do caso em Barueri, que determinou o depósito judicial da quantia em nome do empresário. A liberação do dinheiro depende de um pedido formal dos advogados de Silvio.
Já em seu depoimento, Patrícia Abravanel reconheceu Fernando, seu irmão Esdra e Luciana dos Santos Sousa como sendo os sequestradores. Ela hesitou em apontar Marcelo Batista Santos, 27, e Tatiana Pereira da Silva, 18, como integrantes do grupo que a sequestrou.

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