O empresário Silvio Santos, 70 anos, disse ontem, em entrevista ao Jornal da Manhã, da rádio Jovem Pan, que, se o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), não fosse à sua casa, estaria morto e o sequestrador Fernando Dutra Pinto, 22, enfrentaria a polícia.

Fernando, que manteve o empresário refém durante sete horas em sua casa, no Morumbi, zona sul de São Paulo, se entregou após a chegada de Alckmin.

''Se o governador não fosse, tenho certeza que ele (Fernando) me mataria e, antes de morrer, mataria quatro ou cinco (policiais), porque ele é incrivelmente rápido e tem uma inteligência fora do comum'', disse o apresentador.

O empresário disse também que Fernando não queria ir para uma penitenciária e que só deixaria sua casa após o governador garantir que ele não morreria.

Silvio Santos criticou especialistas em segurança e parte da imprensa que ''condenaram'' a ida do governador à sua casa.

O empresário saiu por volta das 7h40 de sua casa, sem seguranças. Ele deixou o local dirigindo o próprio carro e acenou para jornalistas que estão na região, sem dar declarações.

Menos de 24 horas depois de ter sido libertado pelo sequestrador, apresentador entrou ontem em estúdio para gravar os programas que apresenta no SBT. Ele chegou ao SBT às 9 horas e começou a gravar o programa ''Show do Milhão'' por volta das 11 horas.

Apesar de uma grande quantidade de jornalistas estar em frente à sede do SBT, na rodovia Anhanguera, em Osasco (SP), a assessoria de imprensa informou que Silvio Santos não falaria com a imprensa ontem.

O sequestrador invadiu a casa do empresário às 7 horas de anteontem. Ele é um dos mentores do sequestro da filha de Silvio Santos, Patrícia, libertada na terça-feira passada.

O sequestro é um dos crimes que mais cresceram em São Paulo. De 1º de janeiro a 15 de agosto deste ano, foram 102 casos na capital e Grande São Paulo. As quadrilhas aumentam a cada dia. Agem com maior intensidade na zona sul da capital, em Diadema e na região de Campinas. Sequestram crianças, jovens, velhos. Os resgates variam de R$ 1 mil a R$ 200 mil. ''São viciados em drogas, ladrões, estelionatários, que encontraram um meio rápido de ganhar dinheiro sem se importar se o crime é hediondo ou não'', disse Reinaldo Correia, delegado-titular da Seccional de Diadema.

mockup