São Paulo, 31 (AE) - O ex-funcionário da Administração Regional da Penha, na zona lçeste de São Paulo, Sílvio Rocha, acusou o vereador Vicente Viscome (sem partido) de ter participado de suposto esquema de propinas na regional. Além de supostas extorsões em vários departamentos da regional, o vereador, segundo Rocha, arrecadaria dinheiro em licitações do órgão feita por carta-convite.
A carta-convite é uma licitação mais simplificada em que que o administrador envia propostas de compras para, no mínimo, três empresas. Não há necessidade, porém, de publicação do edital antes da formalização do contrato, o que possibilita a ocorrência de fraudes. No depoimento prestado ontem (30) à polícia, Rocha acusa o vereador e sua equipe na regional, entre eles o fiscal Ivan Márcio Githay e a assessora Tânia de Paula, de fazerem compras com dinheiro arrecadado na Supervisão de Uso e Ocupação do Solo e nas cartas-convite.
Rocha foi contratado pela Companhia de Processamento de Dados do Município (Prodam) na gestão do ex-prefeito Paulo Maluf. Porém, ele nunca trabalhou no órgão, sendo imediatamente transferido para o gabinete do Prefeito. Oito meses depois, foi transferido para a Administração Regional da Penha, que, segundo ele, na época era comandada pelo vereador Toninho Paiva (PFL). No depoimento, o denunciante lembrou que Viscome assumiu a regional após uma negociação entre o prefeito Celso Pitta (sem partido) e o bloco dos ex-rebeldes, grupo de vereadores governistas que se rebeleram contra o Pitta, no ano passado.
Logo que assumiu o controle da regional, Viscome, segundo Rocha, indicou funcionários de confiança para trabalhar no órgão. Entre eles, o filho do parlamentar, Vicente Viscome Júnior, o fiscal Gitahy e a assessora Tânia de Paula. Uma das funcionárias do órgão que teria reclamado das indicações, identificada como Neide, teria sido afastada por Viscome e Tânia.
Rocha afirmou que chegou a ver algumas pessoas entregarem dinheiro para Tânia de Paula, na regional. Segundo disse, ela colocava o dinheiro em envelopes e, em seguida, dizia que ia encontrar-se com o "vovô" (Vicente Viscome), na Câmara Municipal. Githay, de acordo com o depoente, era o responsável pelos setores de apreensão e de publicidade na Regional. Seria ele quem comandava o esquema de propinas, cujo o dinheiro seria repassado para Tânia e o ex-administrador, Osvaldo Morgado. Ele disse ainda que o oficial de gabinete, Fernando Martins Capitão, que está foragido da polícia, recolheria propinas junto ao Setor de Uso e Ocupação do Solo.

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