Silva era ameaçado e tinha medo de morrer
Silva era ameaçado e tinha medo de morrer16/Mar, 20:13 Por Carla Miranda São Paulo, 16 (AE) - Gilberto Monteiro da Silva era um homem que tinha medo. "Sinto medo de morrer quando acabar esse processo, pois contribuí para o desmantelamento da máfia", disse ao Estado em novembro do ano passado. Ele desconfiava até de pedidos de entrevistas, via perigo em cada esquina desde que revelou à polícia o esquema para arrecadar propina dos ambulantes do Viaduto Santa Ifigênia, no centro. Sentia-se um "arquivo vivo". Em razão de suas denúncias - que culminaram na cassação do ex-deputado estadual Hanna Garib, a quem pertencia o controle político da área -, passou a viver como cigano. Só se locomovia cercado de seguranças. Chegou a perder dez quilos."Nem os camelôs querem ficar perto de mim, eles também têm medo", dizia. Na época, Silva estava sendo vítima de ameaças de morte e garantia ter feito boletim de ocorrência. Acusações - Ao ser preso, em fevereiro do ano passado, o ex-presidente da Associação dos Camelôs Independentes do Estado de São Paulo afirmou que parte do dinheiro recolhido dos ambulantes do Santa Ifigênia era entregue a assessores de Garib e fiscais da Administração Regional da Sé. O total de propinas passava dos R$ 30 mil por mês. Silva ficou oito dias encarcerado como suspeito de controlar o comércio ambulante no viaduto. Depois das denúncias, Garib negou conhecer o líder dos camelôs. Mas Silva garantiu ter feito doações para campanhas de Garib.





