Silenciosa e perigosa, púrpura é pouco conhecida
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domingo, 17 de abril de 2005
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Pintinhas arroxeadas pela pele ou hematomas podem ser o sinal de uma doença silenciosa e perigosa - a púrpura trombocitopênica imunológica (PTI). Pouco conhecida da maioria das pessoas, a doença pode ser confundida até com os sintomas iniciais de leucemia, o que pode causar um grande ''susto'' quando acomete crianças. A incidência da doença, segundo o hematologista Roberto Coelho, de Londrina, é de cerca de 10 casos para cada 100 mil habitantes por ano. ''Na cidade são cerca de 50 pacientes por ano''.
Segundo o hematologista, a PTI normalmente tem caráter benigno e em alguns casos dispensa até tratamento, já que pode se resolver sozinha. No entanto, como pode causar manifestações hemorrágicas, deve ser cuidada com atenção. Aos primeiros sintomas de hemorragia, explica o médico, o paciente deve ser encaminhado rapidamente para atendimento médico. Em casos severos há risco de entrar em choque.
A doença é causada, segundo Coelho, por uma alteração no sistema imunológico, que faz o próprio corpo ''destruir'' plaquetas, responsáveis pela coagulação do sangue. Tal alteração pode acontecer depois de uma infecção viral, principalmente na infância, ou, dependendo da faixa etária, por alguns tipos de reumatismo (''o lúpus principalmente''), doenças como linfomas e leucemia, e alguns medicamentos. O diagnóstico é feito com exame clínico e laboratorial, de sangue e da medula óssea. ''O exame da medula diagnostica a púrpura e também descarta a leucemia'', explica.
Com a doença, o paciente que tem normalmente no organismo de 150 mil a 400 mil plaquetas por milímetro cúbico (mm3), chega a ficar com 10 mil. Quando isso acontece surgem as tais pintinhas ou hematomas, e podem ocorrer hemorragias na pele e nas mucosas, principalmente no nariz e na gengiva.
Quando acomete crianças o risco de hemorragias é maior, explica, até porque a criança faz mais atividades físicas e ''não pára quieta''. O hematoma pode nestes casos ficar mais intenso, e a hemorragia pode determinar uma anemia. ''É uma doença aparentemente simples, mas que deve ser tratada'', alerta o médico. O hematologista explica que uma hemorragia no cérebro, que coloca em risco a vida do paciente, é rara, em menos de 1% dos casos.


