Brasília, DF- As principais siderúrgicas que atuam no Norte do país assinaram um compromisso pelo fim do trabalho escravo na produção do carvão vegetal. Quinze empresas representadas pela Associação das Siderúrgicas de Carajás (Asica) se comprometeram a definir restrições comerciais a fornecedores que exploram mão-de-obra escrava. As informações são da Agência Brasil.
A assinatura do acordo integra o calendário da Semana Nacional pela Cidadania e Solidariedade. O documento reconhece que ainda existem ambientes degradantes na base da cadeia, o que deixa sem amparo um grande número de trabalhadores. Ao lado do minério de ferro, o carvão é uma das principais matérias primas do ferro gusa, exportado para países desenvolvidos para ser usado na produção de aço.
O carvão é oriundo de carvoarias que queimam madeira da floresta nativa. É nessa etapa da cadeia produtiva que o trabalho escravo é utilizado. ''A maioria (dos trabalhadores) tem que cumprir uma jornada imensa de trabalho, entre 10 horas a 14 horas de trabalho por dia, sem qualquer equipamento de proteção como luvas, botas. Não tem carteira assinada, assistência médica, previdência. A alimentação é péssima, o sistema de transporte de um município a outro é extremamente inseguro, então é o que é de pior em termos de forma de trabalho existente'', observou o diretor do Instituto Observatório Social, Odilon Faccio. A entidade fez um levantamento sobre o quadro do trabalho escravo na cadeia produtiva do aço.
Também assinaram o acordo representantes do Sindicato da Indústria do Ferro Gusa do Estado do Maranhão (Sifema), dos institutos Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, Observatório Social e Carvão Cidadão, da Confederação Nacional dos Metalúrgicos e da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp).
''Quando você atua na ponta da cadeia, onde chegam os produtos finais, e coloca a condição de eliminação do trabalho escravo como condição para fazer parte da cadeia, condição comercial, o resultado é imediato'', destacou o presidente do Instituto Ethos, Oded Grajew.
A coordenadora do Projeto de Combate ao Trabalho Escravo da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Patrícia Audi, destacou: ''Esta iniciativa mostra uma preocupação e um comprometimento deste setor com a sociedade brasileira. É uma iniciativa merecedora de todo crédito.''
Segundo Audi, no Brasil ainda existem cerca de 25 mil pessoas trabalhando em condições de escravidão. ''A escravidão contemporânea difere-se da escravidão tradicional, pois hoje em dia a escravidão independe de cor e de raça'', enfatizou.
''O Brasil é considerado hoje uma referência no combate ao trabalho escravo, devido à indignação que o Estado brasileiro em geral vem tomando em relação a essa questão nos últimos dois anos. O setor produtivo, o setor privado brasileiro também está preocupado com essa questão e não admite que essa prática possa existir na cadeia produtiva'', ressaltou Audi.

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