Siderúrgicas devem buscar novos mercados
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quinta-feira, 08 de julho de 1999
Por Renato Andrade 
Belo Horizonte, 9 (AE) - As siderúrgicas brasileiras que produzem laminados a quente - Usiminas, Cosipa e Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) - devem buscar ampliar suas exportações para outros mercados na tentativa de equilibrar suas exportações depois de acertado o acordo suspensivo de investigação anti-dumping, firmado entre o governo brasileiro e o departamento de Comércio Exterior dos Estados Unidos na início desta semana.
O acordo firmado determinou que as três siderúrgicas poderão exportar um volume total de 295 mil toneladas de produtos laminados a quente para o mercado norte-americano, a um preço mínimo de US$ 327 por tonelada. Esta limitação forçará as companhias a buscar colocar seus produtos em outros mercados já que a cota determinada representará, em média, uma redução de 25% nas exportações de laminados a quente para os Estados Unidos.
Só para se ter uma idéia, as três empresas juntas, no ano passado, exportaram para o mercado norte-americano cerca de 400 mil toneladas de laminados a quente.
O presidente do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS)
Antônio José Polanczyk, que também preside a siderúrgica Belgo-Mineira, considerou o acordo como um "mal menor", já que
caso o acordo não fosse firmado, as exportações deste tipo de aço para os Estados Unidos seriam suspensas - o que prejudicaria as siderúrgicas Usiminas, Cosipa e CSN, que produzem este tipo de aço.
A Cosipa acredita que conseguirá reduzir o impacto da determinação de cotas para exportação, com a colocação destes produtos em outros mercados onde já atua. "Há a perspectiva de redução em receitas de exportação mas nada que vá alterar o resultado da empresa", avalia o gerente geral de exportações da siderúrgica paulista, Manoel Alvarez.
O objetivo da empresa é exportar este ano 500 mil toneladas de produtos, diante de uma produção de 2,3 milhões de toneladas. Alvarez ressalta que esta meta de exportação já contempla a redução de volumes exportados para os Estados Unidos. "Não colocamos nada no mercado norte-americano nos últimos seis meses", lembra o executivo.
Em 1998 a Cosipa exportou 124 mil toneladas de laminados a quente para os EUA. "A determinação de cota não significa que vamos ficar sem vender material naquele mercado", ressalta.
O mercado norte-americano sempre teve importância para as exportações brasileiras das siderúrgicas que produzem produtos planos, onde se inclui os laminados a quente. Para se ter uma idéia desta importância, de acordo com o último relatório geral sobre o setor, produzido pelo Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) com séries históricas de 1992 a 1997, os Estados Unidos compraram, em 1997, 332,8 mil toneladas de bobinas a quente brasileiras.
O setor exportou naquele ano um total de 962 mil toneladas deste produto, ou seja, o mercado norte-americano absorveu cerca de 34,5% do total de bobinas a quente exportadas pelas siderúrgicas brasileiras que tem este produto dentro do seu mix.
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) também já iniciou um processo de "migração" de suas exportações. No primeiro trimestre deste ano, a siderúrgica de Volta Redonda (RJ) ampliou em 218% suas exportações para a ásia, em comparação com o mesmo período do ano passado. Historicamente, do volume total de produção (incluindo todos os produtos) a empresa coloca cerca de no mercado externo. O volume de produção em 1998 foi de 4,1 milhões de toneladas, sendo que o mercado interno absorveu 73% deste volume e os 27% restantes foram exportados. A região do NAFTA (Estados Unidos, México e Canadá) absorveu 37% do volume total de exportações, seguido da América Latina (22%), Europa (28%), ásia (8%) e outros (5%).
Os executivos da CSN evitam no entanto detalhar qual será a estratégia da empresa para este ano, depois de acertado o acordo com os Estados Unidos. A direção da Usiminas também mantém esta posição de "silêncio absoluto" sobre suas estratégias. No caso da Usiminas a regra de silêncio ultrapassa até a questão do acordo. A direção da empresa evita comentar até mesmo seus volumes de exportação, informações que deveriam estar abertas, já que a empresa tem ações listada em bolsa.
Historicamente a Usiminas mantém uma regra básica para suas vendas. A siderúrgica de Ipatinga - no Vale do Aço mineiro - busca sempre comercializar 80% de sua produção no mercado interno e os 20% restantes para exportações, tendo a América Latina e os Estados Unidos como principais compradores.
Apesar da determinação da cota de 295 mil toneladas para serem colocadas este ano no mercado norte-americano, existe a possibilidade da cota não ser cumprida. O primeiro obstáculo é o preço mínimo determinado pelo acordo para internalização dos produtos laminados a quente naquele mercado.
O gerente geral de exportações da Cosipa, Manoel Alvarez
lembra que o preço de US$ 327 por tonelada é, atualmente, superior ao preço médio praticado pelas siderúrgicas norte-americanas, que tem conseguido colocar o produto por até US$ 300 por tonelada. "A tendência e que este preço se recupere
em consequência de uma demanda maior do que a oferta", lembra.
De qualquer maneira, Alvarez lembra que é preciso ficar atento a muitas variáveis macroeconômicas para se fazer uma avaliação da possibilidade real de colocação dos laminados a quente brasileiros nos Estados Unidos. "Se a economia norte-americana manter seu ritmo de crescimento poderemos ter uma recuperação de preços e com isto, o nosso preço mínimo poderá torna-se competitivo", disse.


