Rio, 18 (AE) - A indústria nacional vai suspender as exportações para os Estados Unidos enquanto estiver em vigor a sobretaxação provisória decretada na última sexta-feira pelo Departamento de Comércio norte-americano. De acordo com a decisão, o aço proveniente do Brasil terá de pagar taxas de 57 28%, no caso da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), e 80,47%, para o produto fornecido pela Usiminas e Cosipa.
"Acreditamos que estes valores já levam em conta a desvalorização da moeda, mas, de qualquer forma, são percentuais inaceitáveis", diz Wilson Brumer, presidente do Instituto Brasileiro de Siderurgia. Parte da sobretaxa deve-se a uma política antidumping e outra parcela a uma acusação da indústria norte-americana de que as siderúrgicas brasileiras ainda se beneficiam dos subsídios recebidos do governo na época em que eram estatais.
Para Brumer, a questão dos subsídios deve ser levada à instância superior da Organização Mundial do Comércio (OMC) pelo governo brasileiro. "Não vejo outra saída para isto", declara. Está prevista para o próximo dia 22 a vinda ao País de uma missão técnica do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, que visitará as três empresas envolvidas e irá também ao Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo. Os técnicos vão analisar documentos e ouvir a defesa dos empresários brasileiros.
No dia 28 de abril deve ser dada a conclusão final do processo, iniciado em setembro do ano passado, por uma denúncia de dumping feita por industriais americanos. Eles pediram sobretaxa para os laminados a quente importados da Rússia (sugerindo índices de 107% a 199%), Japão (de 27% a 66%) e Brasil (61% a 119%). Na última sexta-feira, o governo norte-americano estabeleceu taxação preliminar para o Brasil e o Japão. Para a Rússia, o processo foi adiado.
Segundo Brumer, a exportação de laminados a quente do Brasil para os Estados Unidos representou apenas 3% das vendas externas do produto no ano passado. Em termos absolutos, foi de US$ 110 milhões, de um total de US$ 3 bilhões. "Não é uma parcela tão significativa, embora importante, mas é questão até filosófica", afirma Brumer.

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