Rio, 21 (AE) - As siderúrgicas brasileiras devem faturar este ano R$ 16,3 bilhões, segundo dados do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), que divulgou hoje as previsões corrigidas do desempenho do setor. O resultado indica um crescimento de 14% em relação ao obtido no ano passado. A estimativa é baseada em consultas a todas as siderúrgicas brasileiras.
O vice-presidente executivo do IBS, Marco Polo de Mello Lopes, afirmou que as exportações do setor vão melhorar depois do fim da crise financeira que atingiu os países asiáticos a partir de 1997. O principal mercado para o aço brasileiro continua a ser os Estados Unidos, mesmo com as restrições que continuam vigorando. Mas a ásia também é um mercado importante.
"De uma maneira geral, a sensação é de que o pior já passou", afirmou Mello Lopes, em um seminário sobre contabilidade ambiental na siderurgia realizado no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "Com isso, estamos tendo melhoria das condições", acrescentou.
Comércio exterior - Segundo O IBS, as companhias do setor devem exportar este ano US$ 2,6 bilhões em aço - um aumento de 8,3% em comparação com 1999. As importações devem chegar a US$ 800 milhões, um crescimento de 60% sobre as encomendas do ano anterior. O IBS também prevê uma elevação de 8 6% na produção de aço bruto, com a fabricação de 27,158 milhoes de toneladas.
A produção de laminados deve atingir 17,765 milhões de toneladas (crescimento de 5,8% em relação a 1999). A produção de semi-acabados para venda vai ser a que menos aumentará, segundo o instituto: apenas 0,8%, chegando assim a 7,431 milhões de toneladas. Segundo o levantamento do IBS, as siderúrgicas devem vender 14,371 milhões de toneladas no mercado interno - desempenho 7% maior em comparação com o ano passado.
Barreiras nos EUA - Mello Lopes afirmou que o acordo suspensivo que restringe a venda de laminados a quente do Brasil para os Estados Unidos pode ser revisto. A medida depende de a Organização Mundial do Comércio (OMC) condenar os critérios dos EUA para definir o que são subsídios e quando devem ser dados direitos compensatórios.
A OMC não reconheceu o argumento de que o fato de as siderúrgias brasileiras terem sido estatais significou a concessão de subsídios. "O timing para isto acontecer é que é difícil de dizer", afirmou Melo Lopes, durante seminário de contabilidade ambiental para siderúrgicas, na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Mello Lopes informou que o governo brasileiro estuda unir-se ao Japão no questionamento, na OMC, sobre a definição adotada pelos Estados Unidos para caracterizar dumping (prática comercial condenada, em que uma empresa vende seu produto por um preço abaixo do custo). "Já se tem uma definição de que o que se considera subsídio não procede", informou. "Se o que se considera dumping também não proceder, o processo (de restrição de laminados a quente) cai por terra", explicou.
O vice-presidente do IBS acrescentou que a decisão do International Trade Comission (ITC) dos Estados Unidos no início deste ano, suspendendo as barreiras aos laminados a frio exportados pelo Brasil e outros países, também pode ter influência nas barreiras ainda existentes para os fios-máquina. "A decisão do ITC questionou um pouco (o argumento de que a exportação prejudicaria a siderurgia norte-americana), e isso pode representar uma mudança nas relações", avaliou.
Meio ambiente - Mello Lopes admitiu que cláusulas ambientais podem ser usadas para levantar novas barreiras. Mas lembrou que dos US$ 12,7 bilhões de investimentos que serão usados para modernizar a siderurgia brasileira, de 1994 até 2002
já foram gastos US$ 1,2 bilhão em meio ambiente. "Temos padrões internacionais", garantiu.

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