Sicride prende seis acusados de vender crianças no Paraná
Curitiba- A investigação sobre a morte de um recém-nascido, em Matinhos, no Litoral do Estado, levou o Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) a descobrir um suposto esquema de tráfico de crianças. Ontem, seis pessoas, entre elas três advogados e uma agente da Polícia Civil, foram presas acusadas de envolvimento. Também foram apreendidos documentos, dólares, trezentas folhas de cheque e computadores.
A delegada do Sicride, Márcia Tavares dos Santos, disse que as investigações começaram em dezembro de 2005. Todas as mães que tiveram filho na ocasião foram procuradas pela polícia e uma delas, Renata Almeida dos Santos, confessou que havia entregue sua filha, nascida em 5 de outubro, para adoção. O delegado de Matinhos, Roberto Fernandes, desconfiou da história, pois não havia nenhum processo de adoção legal no fórum da cidade.
Em Curitiba, foram presos Elias José Piazentin Gonçalves, 44 anos, e sua mulher, a advogada Janaína Monteiro Piazentin Gonçalves, 34 anos. No Litoral, a polícia prendeu os advogados D.G.L., 35, Cid Vinicius de Oliveira Santos, 45, a agente de apoio da Polícia Civil, Regina Silveira Girolleta, 50, e seu marido Ademir Giroletta, 41. A prisão foi acompanhada por um representante da Seção Paraná da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR).
De acordo com as investigações, Pereira e Oliveira Santos teriam procurado Renata, em setembro de 205, oferecendo medicamentos, alimentos, um botijão de gás, R$ 50,00 em dinheiro e a cobertura de todos os custos dos exames pré-natais no valor de R$ 143,00, em troca do bebê. Dois dias depois do nascimento, mãe e filha foram levadas para Curitiba por Pereira.
Segundo a delegada, a mãe desconfiou de que não se tratava de adoção legal, pois teria visto o advogado recebendo um cheque. Mesmo assim, não procurou a polícia. Renata já havia entregue um outro filho para adoção. Um dos advogados, informou Márcia, teria confessado que a criança foi levada para o Rio de Janeiro.
Márcia disse que uma equipe do Sicride irá para a capital fluminense, na tentativa de localizar a menina. Segundo ela, há indícios de que outras mães teriam sido abordados pela suposta quadrilha e, por isso, as investigações prosseguirão. A origem do dinheiro e dos cheques apreendidos ainda será apurada.





