Shows levam 100 mil ao Tatuapé
São Paulo, 25 (AE) - Aproximadamente 100 mil pessoas, de acordo com estimativas da Polícia Militar, lotaram hoje o Centro Recreativo do Trabalhador (Ceret), no Tatuapé, zona leste de São Paulo, para assistir à apresentação de 24 grupos e cantores. Os estilos musicais foram do pagode à axé music. Os shows começaram por volta das 11 horas e estenderam-se até o início da noite. Durante horas, a fila para entrar na área dos shows era quilométrica. O parque transformou-se em um grande ponto de encontro e paquera. A maioria absoluta do público era formada por adolescentes.
"A gente vem pra ver o show, dá uma olhada nos gatinhos
dança e se diverte", resumiu a estudante Maria Clara da Silva, de 16 anos. Ela e um grupo de amigas chegaram ao Ceret por volta das 9 horas e estavam ansiosas pela apresentação do grupo Soweto.Como elas, os jovens tinham seus cantores de preferência e mostravam isso em camisetas com fotos ou faixas amarradas na cabeça com os nomes dos ídolos. Participaram dos shows os grupos Só Pra Contrariar, Negritude Jr., Fat Family, Sampa Crew, Sensação, Pixote, entre outros. Também cantaram Peninha, Maurício Manieri e Jerry Adriani. A escola de samba Vai-Vai encerrou o espetáculo.
Tumultos - A histeria das fãs provocou alguns desentendimentos com os seguranças do show, mas a Polícia Militar não chegou a registrar nenhuma ocorrência de maior importância. Dezenas de crianças choravam no ponto de encontro por terem se perdido das mães. No posto médico, o número de atendimentos foi grande. Em três horas de show, 250 pessoas passaram pelo ambulatório. A principal reclamação era pressão baixa, provocada pelo forte calor.
A multidão e as pequenas confusões assustaram a vendedora Carmen Lúcia Martins Gonsalez, que levou o filho Darci
de 7 anos, para assistir às apresentações. "Trouxe (o garoto) para se divertir um pouquinho, mas a gente não conseguiu nem chegar perto", contou. "A gente acaba ficando com medo, né?"
Menos preocupada, a aposentada Marlene Pereira da Costa, de 56 anos, aguardava sob uma árvore as duas netas que foram assistir ao show do grupo Soweto. Com o braço esquerdo quebrado, ela esperava pacientemente desde as 9 horas. "Eu tô aqui vendo o movimento da garotada e acabo me distraindo."





