Show e desfile encerram Fórum Social
Mumbai, Índia O Quarto Fórum Social Mundial, que denunciou principalmente as políticas de Washington e o modelo econômico neoliberal, termina hoje com uma grande marcha no centro de Mumbai e um show, do qual participará o ministro brasileiro da Cultura, Gilberto Gil. A gigantesca concentração, que aspirou dar voz aos milhões de marginalizados da globalização, finaliza seus trabalhos quando começa em Davos, Suíça, o Fórum Econômico Mundial, que reúne chefes de Estado, empresários e líderes dos órgãos financeiros que foram alvo de ataques em Mumbai.
O FSM nasceu há três anos em Porto Alegre com o objetivo de servir de contrapeso a esse encontro dos poderosos do planeta, defensores e executores das políticas neoliberais que foram denunciadas em Mumbai por ativistas vindos de 130 países. O Fórum queria pleitear, criando este encontro anual do movimento antiglobalização, que ''outro mundo'', diferente do defendido pelos participantes em Davos, era o único capaz de impulsionar um desenvolvimento econômico acompanhado de justiça social.
Mas agora, na que foi a maior reunião internacional da sociedade civil na história, o encontro de Davos representou apenas um pequeno ponto no final de uma página cheia de denúncias expressas desde sexta-feira, em discursos, canções, debates, danças e marchas, por 100 mil ativistas. Em Mumbai ficou claro que para os ativistas o principal inimigo é o presidente americano George W. Bush com sua ocupação do Iraque, assim como os efeitos da política econômica neoliberal.
As denúncias incluíram desde a ocupação do Iraque até o comércio desigual, que castiga em particular a África e América Latina, passando pela questão dos organismos geneticamente modificados e pela destruição do mundo rural, que tem provocado nos países pobres grandes ondas de imigração. Ontem, na véspera do encerramento, os ativistas expressaram insatisfação por apenas participar de um Fórum para deliberar e debater entre si em conferências, painéis, seminários e mesas de trabalho e pediram mais ações concretas.
No dia da inauguração, a romancista e ensaísta política indiana, Arundhati Roy, apresentou ao Fórum uma proposta de ação: selecionar duas multinacionais americanas que se beneficiaram com a guerra no Iraque, e levá-las ao fechamento, por vários meios. Outra decisão, confirmada por fundadores do Fórum, é que o Quinto FSM voltará a Porto Alegre, mas o sexto se realizará em um país da África a ser definido, e no qual um dos temas principais deverá ser o esmagador peso da dívida externa, o qual impede que esses países avancem para um desenvolvimento sustentável.





