Tbilisi, 08 (AE-AP) - O ex-chanceler da URSS Eduard Shevardnadze, um dos políticos soviéticos que tornou viável a abertura do regime comunista, deverá ser reeleito tranquilamente amanhã para um segundo mandato presidencial na Geórgia, país mergulhado em grave crise econômica e profundas divisões étnicas e políticas.
O favoritismo de Shevardnadze, de 72 anos, é incontestátel. Ele tem 70% das intenções de voto enquanto seu principal rival, o comunista Dyumber Patiashvili - que o ex-chanceler derrotou na eleição de 1995 - , possui apenas 19%.
Neste sábado, o número total de concorrentes à presidência da Geórgia caiu para cinco depois que um ex-prefeito preso e um proeminente governador desistiram da disputa. Mas é improvável que as retiradas de candidatura afetem gravemente a participação dos eleitores nas urnas.
Shevardnadze promete combater com firmeza a corrupção e acelerar a liberalização da economia para atrair capital externo e, desse modo, tirar vastas parcelas da população da pobreza. A seu favor está o fato de nos últimos anos não haver surgido no país uma alternativa de poder que inspirasse confiança na população.
Patiashvili é visto como um traidor da causa nacional por boa parte da população, que o culpa pelo massacre de dezenas de georgianos numa manifestação pró-independência, em Tbilisi, em abril de 1989. Na época, a Geórgia estava subordinada a Moscou e Patiashvili era o todo-poderoso líder do Partido Comunista.
Aslan Abashidze, líder do Bloco Reviver e dirigente da república autônoma de Adjara, renunciou hoje à sua candidatura sem explicar o motivo. O outro desistente é Tengiz Asanidze, que cumpre pena de prisão na Adjara por crimes econômicos. Shevardnadze concedeu-lhe indulto, mas o governo adjariano não cumpriu a ordem federal.
O mais excêntrico de todos, porém, é o arquiteto Avtandil Dzjoglidze. Ele quer incluir na Constituição um artigo assinalando que o país é o lugar consagrado para a segunda vinda de Jesus Cristo à Terra. A grande maioria da população da Geórgia é cristã ortodoxa e muitos políticos exploram o arraigado misticismo popular para ganhar votos.
Shevardnadze foi líder do PC da Geórgia de 1972 a 1985 e chefe da diplomacia soviética entre 1985 e 1991. Voltou a Tbilisi em 1992 e no ano seguinte assumiu o governo da república independente, após a deposição do presidente Zviad Gamsakhurdia. Desde então, Shevardnadze foi alvo de várias tentativas de assassinato.
Só em 1996 ele conseguiu uma relativa estabilidade política no país, apesar de os conflitos étnicos e políticos permanecerem latentes nas regiões da Abkházia e da Ossétia do Sul, que travaram guerras pela autodeterminação no início dos anos 90 e agem como se fossem independentes. Não haverá eleições na Abkházia. Na Ossétia do Sul elas só serão realizadas em áreas controladas pelo governo federal.

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