Rio, 24 (AE) - A Shell anunciou hoje a venda de 285 postos de revenda de combustível e seis bases de distribuição para a Agip do Brasil, subsidiária da italiana Eni. Ao divulgar o fechamento do negócio, o presidente da Shell, David Pirret, afirmou que a decisão foi acelerada por causa "dos problemas no mercado de varejo no Brasil, que atravessa dificuldades devido às irregularidades como sonegação de impostos e adulteração de combustíveis".
O valor do negócio não foi divulgado mas, segundo o vice-presidente de Varejo da Shell, Herman Colon, os postos vendidos representam menos de 1% da participação que a empresa detém no setor de varejo. Todas as unidades estão localizadas na Região Centro-Oeste, considerada uma área de baixa rentabilidade para a empresa, que decidiu concentrar as atividades em mercados mais competitivos, especialmente São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba.
Com um capital empregado no País de US$ 1 bilhão, a Shell - segunda no ranking de distribuição, atrás somente da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras - teve um lucro em 1999 "próximo de zero", como revelou o vice-presidente Comercial, Vasco Dias. As vendas de varejo (distribuição de combustíveis) representam 60% dos ativos em dólar da companhia e, segundo ele, a empresa está buscando uma estratégia que garanta rentabilidade.
Pirret comentou que a venda, que estava sendo negociada desde setembro passado, foi uma decisão comercial, não um indício de parceria com a Agip no Brasil. Segundo ele, a decisão seria tomada de qualquer maneira, como preparação para a desregulamentação de mercado, após a qual todas as distribuidoras privadas serão autorizadas a importar combustíveis. Atualmente, a Petrobras é a única importadora no mercado nacional.
Mas ele deixou claro também contribuiu para a venda a situação no mercado distribuidor, no qual muitas empresas continuam lançando mão de liminares judiciais para não descontar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e outras mantém práticas ilegais para adulterar a fórmula do produto e baratear os custos. Ele preferiu, no entanto, não criticar o órgão regulamentador, a Agência Nacional do Petróleo (ANP).
"Temos confiança de que os órgãos governamentais vão ter solução a curto prazo", disse, diplomático. Procurada, a direção da ANP não foi encontrada para falar sobre a atual situação do mercado distribuidor.
Pirret lembrou, ainda, que o enxugamento do portfólio das companhias de petróleo é um fenômeno mundial que tende a se reproduzir no Brasil.
A empresa, que investiu, no mercado de varejo, US$ 200 milhões em 1999, pretende destinar, este ano, pouco mais de um terço deste valor (entre US$ 70 milhões e US$ 75 milhões) para o setor.

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