Sharp quer que bancos repassem pagamentos feitos por clientes
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domingo, 26 de março de 2000
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 27 (AE) - A Sharp, fabricante de eletroeletrônicos que pediu concordata sexta-feira, negocia com bancos credores para que não se apropriem dos pagamentos de prestações de venda direta ao consumidor para amortizar sua dívida.
A Sharp também estaria disposta a contestar na Justiça o banco que continuar automaticamente abatendo os recebíveis da dívida. São quatro bancos nacionais envolvidos nesse processo. Do débito total da empresa avaliado em R$ 645 milhões, cerca da metade diz respeito a pendências bancárias. Comenta-se no mercado que o Unibanco seria um dos maiores credores da companhia. Ontem, representantes do banco foram procurados, mas não estavam disponíveis para comentar o assunto.
Dentre os argumentos apresentados para pedir concordata, além da retração do mercado, falência de empresas do varejo e desvalorização cambial, os advogados da Sharp apontaram também a interrupção no fluxo de recebíveis, que teria cortado o oxigênio da empresa. A concordata teria por objetivo conseguir regularizar o ritmo de entregas de produtos vendidos diretamente ao consumidor.
A venda direta foi o que manteve em funcionamento a fábrica nos últimos meses. Prova disso que lojistas de redes disseram que a concordata da empresa em nada afeta o comércio. Há mais de ano, por exemplo, a Sharp não fornece mercadorias para a Lojas Cem, informa o diretor Natale Dalla Vecchia. "A concordata da Sharp não nos afeta."
Segundo o gerente Comunicação da Philips, Guilherme Whitaker Penteado, a fatia de mercado da Sharp já foi transferida para os concorrentes nos últimos meses. A Philips é o maior credor não-financeiro da Sharp e executa judicialmente desde novembro as garantias dos débitos relativos a componentes que a companhia não pagou. As garantias são imóveis, disse Penteado.


