Islamabad, 24 (AE-AP) - O Paquistão voltou hoje (24) a reivindicar seu direito a controlar a totalidade da região himalaia da Caxemira, pela qual mantém um conflito com a Índia.
"A Caxemira será algum dia parte do Paquistão", disse o primeiro- ministro paquistanês, Nawaz Sharif, quando visitava suas tropas na região fronteiriça. "O Paquistão quer a paz, mas defenderemos nossas fronteiras geográficas e ideológicas a qualquer preço", disse.
Dirigindo-se a suas tropas, Sharif acusou a Índia de ter criado uma situação similar à de uma guerra ao longo da linha de controle - que desde 1949 divide a Caxemira entre a Índia e o Paquistão - e negou as acusações de Nova Délhi de que, entre os guerrilheiros separatistas que invadiram o território indiano, estejam soldados paquistaneses.
Sharif reiterou também que os rebeldes muçulmanos que lutam contra as tropas indianas nos picos do Himalaia são caxemires que desejam a liberdade e estão "coroando de êxito 11 anos de guerra pela independência". Na Caxemira, que tem dois terços de seu território controlados pela Índia, predomina a população muçulmana, como no Paquistão, enquanto a imensa maioria dos indianos são hindus.
O general americano Anthony Zinni chegou hoje ao Paquistão para manter conversações sobre o conflito. Contudo, Sharif adiantou que os EUA, assim como a União Européia (UE), precisam "equilibrar seus pontos de vista". Os 15 países membros da UE e os EUA exigem a imediata retirada das forças paquistanesas infiltradas na Caxemira indiana, apesar de Islambad desmentir reiteradamente que seus soldados tenham invadido o território do país rival.
A Índia e o Paquistão travaram três guerras desde sua independência da Grã-Bretanha, em 1947, duas delas pela Caxemira. Há um ano, os dois países vizinhos realizaram testes nucleares como uma demonstração de força.
O Exército indiano prosseguiu hoje com sua ofensiva aérea e terrestre contra posições de guerrilheiros separatistas na Caxemira. E, apesar das crescentes advertências de políticos indianos sobre a possibilidade de uma guerra em larga escala, o primeiro-ministro indiano, Atal Behari Vajpayee, disse hoje que sua nação não tem planos de invadir o território paquistanês, desmentindo a versão do chefe do Exército, Ved Prakash Malik, de que a opção está sendo "constantemente revista".
Novos ataques aéreos foram lançados hoje sobre o estratégico Pico do Tigre com sucesso, informou à imprensa de Nova Délhi o capitão D. N. Ganesh. Segundo ele, pelo menos 20 guerrilheiros foram mortos nessa área, por onde passa a principal estrada da região. As tropas indianas tomaram uma bateria antiaérea, um rádio e uma grande quantidade de munição durante a operação na cadeia montanhosa de Totoling, na região de Kargil.

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