Sharif discute com China conflito com a Índia
Pequim, 28 (AE-AP) - O primeiro-ministro paquistanês, Nawaz Sharif, reuniu-se hoje (28) em Pequim com seu colega chinês, Zhu Rongji, para discutir o conflito entre seu país e a Índia por causa da região da Caxemira. Amanhã ele deverá reunir-se com o presidente chinês, Jiang Zemin, e o presidente da Assembléia Nacional, Li Peng, antes de retornar ao Paquistão depois de amanhã. Sharif decidiu encurtar sua planejada visita de cinco dias depois que Islamabad denunciou hoje a invasão do espaço aéreo paquistanês por dois jatos indianos.
O governo de Nova Délhi, que tenta expulsar de seu território guerrilheiros separatistas que estariam recebendo apoio de soldados paquistaneses, apressou-se em desmentir a denúncia. Segundo Islamabad, a invasão ocorreu no setor paquistanês, perto das regiões indianas de Drass e Kargil. Esta seria a primeira invasão aérea desde 27 de maio, quando o Paquistão abateu dois MiGs indianos.
O Paquistão quer obter o apoio político de Pequim a seu trabalho para envolver o maior número de países na busca de uma solução para o conflito da Caxemira. Nova Délhi, por sua vez, já manifestou seu rechaço a essa via de solução internacional e o chefe do Exército indiano, general Ved Prakash Malik, indicou hoje que "o conflito na Caxemira, iniciado pelo Paquistão, só será encerrado pelos termos de Nova Délhi".
Malik disse a suas tropas estacionadas no setor de Drass, na Caxemira, que "o inimigo iniciou o combate, mas somos nós que dispararemos o último tiro e a guerra só terminará sob os nossos termos".
Desde sua independência da Grã-Bretanha, em 1947, a Índia e o Paquistão já travaram três guerras, duas pela Caxemira. A visita de Sharif a Pequim é a terceira que realizou à China, mas é a primeira desde que seu país e a Índia realizaram testes nucleares no ano passado. A China mantém tradicionalmente relações amistosas com o Paquistão, mas optou por manter uma posição neutra sobre a disputa pela Caxemira. As autoridades chinesas exortaram em várias ocasiões as duas partes a "manter a calma e tentar resolver o conflito pela via pacífica e o diálogo".





