Shakespeare e Itália são os grandes vencedores do Oscar
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domingo, 21 de março de 1999
Por Michael Fitzpatrick, da Reuters 
Los Angeles, 22 (AE-REUTERS) - Um dramaturgo desaparecido há muito tempo, um italiano, no mínimo, exuberante e uma atriz que apareceu por apenas oito minutos no melhor filme do ano figuraram entre os grandes ganhadores da noite do Oscar.
Entre os grandes perdedores figuram Brasil, Austrália e um par de filmes épicos sobre a Segunda Guerra Mundial.
Mas o grande vencedor da noite de domingo foi mesmo o mestre da língua materna de Hollywood, William Shakespeare, ainda que por meio de uma versão fictícia sobre sua vida amorosa.
"Shakespeare Apaixonado", uma história de como uma aristocrata acendeu a chama do amor em Shakespeare e o levou a escrever "Romeu e Julieta", ganhou sete prêmios Oscar, derrotando o favorito "O Resgate do Soldado Ryan" na categoria de melhor filme.
"O Resgate do Soldado Ryan" tinha 11 indicações ao prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, mas apenas conquistou um dos principais, o de melhor diretor, para Steven Spielberg.
Outro drama de guerra, "Além da Linha Vermelha", saiu com as mãos vazias, apesar de contar com sete indicações.
Na categoria de melhor ator, o protagonista de "O Resgate do Soldado Ryan", Tom Hanks, perdeu surpreendentemente para o italiano Roberto Benigni, que ganhou por seu papel em "A Vida é Bela" e passou a ser o primeiro ator de língua não inglesa a conquistar o prêmio em um filme em um idioma estrangeiro.
Entre outros ganhadores transatlânticos esteve a britânica Judi Dench, que levou o Oscar de melhor atriz coadjuvante por seu breve papel como a velha rainha Elizabeth em "Shakespeare Apaixonado".
"Creio que por oito minutos na tela, deveria receber apenas parte (do Oscar)", disse Dench segurando a estatueta. "Meu coração vai para as outras quatro que não ganharam".
Paradoxalmente, a rainha Elizabeth ganhou e perdeu na cerimônia do Oscar.
Embora os britânicos tiveram uma jornada bastante boa, seus primos australianos não puderam dizer o mesmo.
A australiano Cate Blanchett, aclamada por seu papel como a rainha Elizabeth em sua juventude, perdeu o Oscar de melhor atriz para a americana Gwyneth Paltrow - que até agora era mais famosa por ter namorado Brad Pitt e Ben Affleck do que por seu trabalho na tela.
O compatriota de Blanchett, Geoffrey Rush, que ganhou o Oscar de melhor ator em 1996 por "Shine", perdeu este ano o prêmio de melhor ator coadjuvante para o vetereno americano James Coburn.
A atriz australiana Rachel Griffiths, que trabalhou em "Hilary e Jackie", perdeu na categoria de coadjuvante para Dench.
Peter Weir, o diretor australiano de "O Show de Truman" foi vencido por Spielberg.
O Brasil, que estava competindo em dois prêmios importantes, também viu frustradas suas esperanças ao Oscar.
"Central do Brasil" estava concorrendo na categoria de melhor filme estrangeiro, mas perdeu para "A Vida é Bela", e a grande dama do teatro brasileiro, a veterana Fernanda Montenegro, protagonista de "Central do Brasil", perdeu o Oscar de melhor atriz para Paltrow.


