Shakespeare Apaixonado recebe 13 indicações
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terça-feira, 09 de fevereiro de 1999
Por Marcelo Bernardes, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Nova York, 09 (AE) - Shakespeare Apaixonado, do diretor John Madden, é o recordista deste ano em número de indicações para o Oscar, com 13, uma a menos que os recordes históricos de A Malvada e Titanic, que tiveram 14.
Três filmes ambientados na 2ª Guerra estão no páreo pela estatueta de melhor produção: Além da Linha Vermelha, que marca o retorno às telas do diretor Terrence Malick depois de uma ausência de 20 anos, O Resgate do Soldado Ryan, de Steven Spielberg, que recebeu 11 indicações e o italiano A Vida É Bela, de Roberto Benigni.
A Vida É Bela é o primeiro filme em três décadas a aparecer na lista de melhor filme e melhor filme estrangeiro, repetindo o feito de Z, de Costa-Gavras, em 1969. Elizabeth, do indiano Shekhar Kapur, completa a lista dos concorrentes a melhor filme.
Fernanda Montenegro tem um páreo difícil pela frente. A Miramax vai apostar firme em Gwyneth Paltrow, que vive Lady Viola, a inspiração que faz o dramaturgo William Shakespeare sair de um bloqueio literário em Shakespeare Apaixonado. A australiana Cate Blanchett, a favorita para o prêmio, interpreta a monarca mais amada da Inglaterra em Elizabeth, atuação que é a alma do filme dirigido pelo indiano Shekhar Kapur. A inglesa Emily Watson faz um tour de force como a violoncelista inglesa Jacqueline Du Pré no controverso Hilary & Jackie e Meryl Streep é pura técnica como uma mãe morrendo de câncer em Um Amor Verdadeiro. Meryl está recebendo sua 11ª indicação para o Oscar em 21 anos de cinema e empata com Jack Nicholson em número de indicações. A dupla só perde para as 12 de Katharine Hepburn.
Num ano repleto de surpresas, O Show de Truman - O Show da Vida ficou de fora da lista dos cinco melhores filmes. Esnobação maior (rotina que acompanhou por muito tempo Barbra Streisand e Steven Spielberg) foi não ouvir o nome de Jim Carrey na categoria de melhor ator - na entrega do Globo de Ouro, o ator chegou a brincar agradecendo à academia por antecipação. Edward Norton ficou com a vaga por sua atuação como um ex-skinhead em American History X.
As outras indicações nessa categoria seguiram como o previsto: Nick Nolte, por Temporada de Caça (lançado diretamente em vídeo no Brasil); Ian McKellen, no papel do cineasta James Whale no independente Gods and Monsters; Tom Hanks em O Resgate do Soldado Ryan e Roberto Benigni como um pai tentando criar um mundo de fantasia para seu filho num campo de concentração em A Vida É Bela.
A produção de Benigni conquistou sete indicações para o Oscar, batendo os recordes de Fanny & Alexandre, de Ingmar Bergman, em 1983 (Suécia), e O Barco, Inferno do Mar, de Wolfgang Petersen (Alemanha), em 1982, muito embora essas produções não tenham sido indicadas para o Oscar principal. O único filme não falado em inglês e indicado duplamente nas categoria de melhor filme e filme estrangeiro foi o grego Z, de Costa-Gavras, que acabou vencendo a última categoria em 1969.
Benigni também concorre na categoria de diretor, em companhia de Steven Spielberg, John Madden (Shakespeare Apaixonado), Peter Weir (O Show de Truman - O Show da Vida) e Terrence Malick. Nas quatro categorias de intérpretes, metade dos 20 indicados é estrangeira, com a maior concentração deles pertencente ao prêmio de melhor atriz coadjuvante.
Kathy Bates é a única americana (por seu trabalho em Segredos do Poder) concorrendo com as inglesas Judi Dench (Shakespeare Apaixonado), Brenda Bletyhn (Little Voice), Lynn Redgrave (Gods and Monsters) e a surpresa Rachel Griffiths (que interpreta a irmã da violoncelista Jacqueline Du Pré em Hilary & Jackie).
Rachel é mais conhecida como a amiga da protagonista do filme O Casamento de Muriel. Judi Dench e Cate Blanchett dividem um fato inédito na história da academia: as duas concorrem ao Oscar interpretando o mesmo papel, o da rainha Elizabeth I.
Ao contrário de Cate, Judi, uma das damas do teatro inglês, pode perder o prêmio por sua segunda caracterização como uma monarca inglesa (a primeira foi no ano passado como rainha Vitória, em Sua Majestade, Mrs. Brown) para a já favorita Lynn Redgrave como a governanta alemã do diretor James Whale em Gods and Monsters. Lynn, que é irmã de Vanessa Redgrave, já havia concorrido ao Oscar em 1966 por Georgy, a Feiticeira, de Silvio Narizzano.


