Brasília, 17 (AE) - Com o apoio da maioria dos deputados do chamado "baixo clero", o corregedor da Câmara, Severino Cavalcanti (PPB-PE), lançará nesta quarta-feira sua candidatura à Presidência da Casa em 2001. Com uma plataforma corporativista
sintetizada na campanha pelo aumento dos salários dos parlamentares, o corregedor pretende disputar a eleição com o líder do PFL, Inocêncio Oliveira, seu conterrâneo, que já está caçando votos desde a semana passada, quando sua candidatura foi aclamada pela bancada e pelos princípais caciques do partido.
O lançamento da candidatura deverá ser comunicado logo após a reunião da Comissão Executiva do PPB, que debaterá o assunto. "Não tenho dúvidas de que o partido estará ao lado dele", afirma o vice-presidente do PPB, deputado Pedro Corrêa (PE). Ele lembra que essa foi a postura do partido em 1997, quando o então deputado Prisco Viana (PPB-BA) disputou a presidência da Câmara com Michel Temer (PMDB-SP).
O apoio dos 44 deputados do PPB é importante para dar substância partidária a Severino Cavalcanti, mas a viabilidade de sua candidatura está na simpatia que ele desperta no "baixo clero" da Câmara, uma confraria que congrega mais da metade dos 513 deputados. Defensor do aumento salarial dos parlamentares e da prerrogativa de o Poder Legislativo estabelecer seu próprio teto salarial, Cavalcanti é tido como um representante dos deputados que não conseguem chamar a atenção da mídia para sua atuação parlamentar.
"Temos que eleger um presidente do baixo clero para acabar com a ditadura de meia dúzia de parlamentares dos partidos majoritários", conclama o deputado Philemon Rodrigues (PMDB-MG)
um entusiasta da candidatura de Cavalcanti. "Queremos um presidente independente, que defenda a obrigatoriedade da liberação das emendas dos parlamentares, para não sermos obrigados a passar vergonha negociando a liberação com funcionários do terceiro escalão em troca de votos", justifica Rodrigues, um legítimo representante do "baixo clero".
Atento às insatisfações dos parlamentares, Cavalcanti está capitalizando o discurso da renovação e sua candidatura já desperta o interesse de outros grupos, inclusive da oposição, que se consideram marginalizados. Buscando apoio na periferia da Câmara, o corregedor repete a trajetória do próprio líder do PFL
que chegou à Presidência da Casa em 1993, derrotando com um discurso de independência o peemedebista gaúcho Odacir Klein, que era apoiado pelo governo.
"Eu quero me eleger como ele se elegeu, mas não fazer o que ele fez", declara Cavalcanti, referindo-se ao fato de Inocêncio ter sido eleito com o apoio de deputados insatisfeitos com o governo de Itamar Franco e ter exercido a Presidência da Câmara acatando a orientação do Executivo.
Primeiro a lançar sua candidatura à sucessão de Temer, Inocêncio tentará se reaproximar do "baixo clero", retomando a trajetória que o destacou no cenário político nacional. Na quarta-feira (19), ele almoça com deputados de vários partidos na casa do principal vice-líder do PFL na Câmara, Pauderney Avelino (AM). Outras reuniões como essa devem acontecer ao longo deste ano. Cavalcanti também deve iniciar sua articulação. Ainda falta um ano para a disputa, mas os dois candidatos não querem perder tempo.
Outros candidatos também devem surgir. "O PSDB está convencido de que chegou o seu momento de presidir a Câmara dos Deputados", avisa o líder tucano, Aécio Neves (MG), ele próprio um postulante ao cargo. A antecipação da disputa, no entanto, não o preocupa. "Não vamos nos pautar em função da movimentação de outras candidaturas." No PT, o maior partido da oposição, a ordem é não entrar nesse debate agora. O vice-líder Geraldo Magela (DF) afirma que o partido não aceita os acordos entre os partidos da base governista para a eleição dos presidentes da Câmara e do Senado, mas não quer antecipar essa discussão. "O PT não vai embarcar em uma discussão que descambe para o aumento dos salarios de deputados", sustenta Magela.

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