Seul vive dia de violência
Seul, 10 (AE-AP) - A capital sul-coreana viveu hoje um dia de violência só visto durante a crise asiática, há dois anos, quando mais de 20 mil trabalhadores, agricultores e estudantes entraram em choque com a polícia durante as manifestações organizadas para exigir a redução da semana de trabalho e a concessão de subsídios. A violência eclodiu quando os policiais tentaram impedir o avanço dos manifestantes, após passeata que bloqueou as ruas de Seul por duas horas.
No fim do dia, 160 pessoas estavam feridas, mas os protestos terminaram sem a intervenção da polícia depois que os manifestantes chegaram à uma igreja católica, local determinado previamente para a dispersão. Nas ruas centrais da capital sul-coreana, porém, ficaram as marcas de sangue e as pichações feitas pelos manifestantes.
Lutar era a palavra de ordem dos manifestantes, que se movimentavam em blocos com os punhos cerrados, muitos deles portando cartazes que exigiam "garantias de subsistência". Cerca de 300 pessoas com bastões de metal, madeira e até bambu, atacaram os policiais fortemente armados e protegidos, que carregavam cassetetes de mais de um metro de comprimento e latas de gás lacrimogêneo.
O trânsito ficou bloqueado por mais de uma hora e meia, enquanto dos manifestantes passavam e pichavam o asfalto com críticas ao governo do presidente Kim Dae-jung. A polícia havia aprovado a manifestação, mas argumentou que os manifestantes não tinham sido autorizados a tomar as ruas.
A manifestação havia sido convocada pela poderosa Confederação Coreana de Sindicatos, segunda maior central sindical do país, com 600.000 associados. A meta era protestar pela prisão de 17 líderes dos trabalhadores, na defesa da redução da semana de trabalho de 44 para 40 horas semanais e contra o corte nos benefícios dos representantes dos sindicatos, mas os agricultores aderiram ao protesto após sua própria passeata.
Pouco mais de 1.000 agricultores participaram da primeira passeata do dia. Eles exigiam que o governo perdoasse parte das dívidas rurais sob o argumento de que o endividamento do setor é resultado da política de abertura do mercado coreano às importações.





