Seu Nenê, tia Zefa e a dona Olímpia, a turma da velha guarda
São Paulo, 12 (AE) - Como falar do samba de São Paulo sem lembrar de seu Nenê, da Nenê de Vila Matilde, de tia Zefa da Camisa Verde e Branco e de dona Olímpia da Vai-Vai? Figuras mais do que emblemáticas, eles acompanharam a evolução do carnaval da cidade.
Com 77 anos, Alberto Alves da Silva, o seu Nenê, lembra-se de quando tudo começou, em 1949. "Quem deu a idéia de formar uma escola de samba foi um amigo, o Tóquio, filho de baiano com chinês", contou. Até o momento de registrar o nome, seus 20 integrantes divergiam: Primeiro de Janeiro ou Unidos do Marapé?
Seu Nenê garantiu que estava "de lado, quieto", quando um jornalista perguntou quem era aquele rapaz magro e comprido. Ao saber, achou que seu nome vinculado ao de Vila Matilde, tinha força. Assim foi. Até 1948, o metalúrgico Nenê tocava em bailes "fazendo estripulias com o pandeiro".
Divergência - Ele fica ressentido com a divergência quanto ao número de títulos de sua escola. Para Nenê são dez, já que conta os campeonatos antes do carnaval paulistano tornar-se "oficial", em 1974. Segundo a Liga das Escolas de Samba, ela venceu só em 1985. Para a Liga, a liderança é da Vai-Vai e da Camisa Verde e Branco, com nove vitórias cada.
Por ele, a Nenê conquista este ano seu 11.º campeonato. "Somos a melhor bateria, ultrapassada só pela Mocidade Independente de Padre Miguel", disse. campeãs cariocas.
Na Camisa Verde e Branco ninguém sabe quem é a ex-empregada doméstica Josepha Maria da Silva, de 83 anos, mas todos conhecem a tia Zefa, a baiana símbolo da agremiação. Ela entrou para a Camisa em 1963, quando a escola ainda era um cordão e as vitórias, comemoradas com feijoada nas calçadas da Barra Funda.
Por causa do peso da fantasia e de bolhas nos pés, há três anos tia Zefa só dirige a ala que a consagrou. "Sempre gostei de comandar", gabou-se. No carnaval passado, com os pontos perdidos pela Camisa, tia Zefa chegou à dispersão passando mal. Viúva e, em sua própria definição, "um pedaço quando era moça", tia Zefa garantiu que até hoje recebe cantadas. "Querem ver o que a baiana tem, mas não tem mais nada."
Mágoa - A dona de casa Olímpia dos Santos Vaz, de 79 anos, desfila há 60 pela Vai-Vai. Orgulha-se da escola acima de tudo, mas anda magoada. "As raízes tinham de ser mais bem tratadas; não faço parte de nada lá dentro", queixou-se. Apesar de a filha estar doente e do pé inchado, dona Olímpia espera colocar seu terninho e sair na velha-guarda hoje. "Desde menina estou metida nisso."





