São Paulo, 23 (AE) - O risco de crédito é atualmente o fator mais representativo nos custos do spread bancário (diferença entre o custo de captação e a taxa de juros cobrada nos empréstimos), disse hoje o presidente do Banco Itaú e da Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban), Roberto Egydio Setubal. "A cunha fiscal acaba tendo um peso menor", afirmou. Setúbal disse não ter informações sobre o estudo que vem sendo feito pelo Banco Central (BC) sobre a formação da taxa de juros brasileira.
O trabalho, que deve ser divulgado brevemente, é uma tentativa do governo de identificar formas de reduzir a brutal diferença entre o custo do crédito para o tomador final e os juros primários da economia. Além da taxa básica, pesam na formação dos juros a cunha fiscal que incide na intermediação financeira e o custo operacional dos bancos, disse Setubal. Itens que acabam tendo impacto significativo nos financiamentos de baixo valor.
O risco, no entanto, acaba tendo um impacto maior atualmente
quer seja pelas próprias taxas de juros, que ainda se mantêm elevadas, quer pela instabilidade do cenário macroeconômico. "O ideal para qualquer banco é emprestar recursos num ambiente de juros baixo e de estabilidade; sem ele, o risco de inadimplência aumenta e, consequentemente, o custo para o tomador também", assegurou.
Setubal está otimista para o segundo semestre. O banco, aliás, estuda lançar ações na bolsa de Nova York. "Ainda não está definido quando", afirmou, muito embora o balanço do banco já esteja bastante ajustado às normas contábeis norte-americanas. Ele acredita na melhora do nível de atividade do País e até mesmo na estabilidade econômica, provocando o crescimento da carteira de crédito do banco, que deve superar o resultado do fim do segundo semestre do ano passado. Mas destacou que a expansão da carteira de financiamentos vai ser feita com critério de risco adequado. "Não seremos agressivos", disse. Nos últimos anos, o banco desenvolveu critérios de análise de crédito de forma a garantir a qualidade dos empréstimos. Ou seja
que eles serão honrados.
A diversificação de negócios garante à instituição manter-se rentável. Foi assim que o banco alcançou o maior lucro do setor no primeiro semestre, com elevado índice de liquidez. Esse caixa é um trunfos do Itaú para arrebatar o Banespa. Setúbal acredita que existem 50% de chances da privatização sair ainda este ano. Apesar de manter o interesse no banco paulista, o Itaú não pretende disputar o paranaense Banestado.

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