Rio, 04 (AE) - Setores da indústria que mais sofriam com a concorrência dos importados estão reagindo e vão liderar o reaquecimento da economia brasileira no segundo semestre. Essa é a conclusão do boletim de julho do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão ligado ao Ministério da Fazenda.
O coordenador do Grupo de Acompanhamento Conjuntural do Ipea, Paulo Levy, destaca que o processo de substituição dos importados superou as expectativas, com as indústrias de materiais químicos, plásticos e têxtil se beneficiando da mudança na política cambial. "Esses setores perderam muito espaço com a concorrência dos importados, agora estão conseguindo reaver parte do mercado nacional", explicou.
Levy pondera que os setores de bens intermediários e de consumo semi e não duráveis apresentaram desempenhos melhores do que se previa após a desvalorização do câmbio em fevereiro. Mesmo apresentando retração nos primeiros cinco meses do ano, os dois setores registraram uma performance melhor do que o resto da indústria brasileira. O boletim se baseia em dados do IBGE que mostram uma queda de 0,6% na produção de bens intermediários e de 1,4% na de consumo semi e não duráveis de 1,4%, contra um recuo 4,8% verificado pela indústria de transformação no mesmo período.
A melhora no resultado da indústria levou o Ipea a rever sua expectativa de queda do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano. O instituto acredita que a retração será de 0,4%, melhor do que o recuo de 2,3% estimado no último boletim em abril.
O Ipea ressalta ainda em seu estudo que a substituição dos importados vem contribuindo para melhorar o desempenho da balança comercial. Como as exportações reagiram pouco à desvalorização cambial, explica Levy, a substituição dos importados se tornou crucial para a performance do comércio exterior brasileiro. O déficit acumulado entre janeiro e junho foi de US$ 623 milhões, contra os US$ 1,8 bilhão registrado no mesmo período do ano passado. "Apesar dos números, o Brasil ainda corre o risco de não atingir a meta fixada com o Fundo Monetário Internacional ", alertou o coordenador do Ipea. Segundo ele, as exportações permanecem estagnadas, refletindo a queda de cerca de 20% no valor das commodities neste primeiro semestre. A recessão nos países da América Latina também contribuiu para o fraco desempenho das vendas externas. Pelos cálculos do Ipea, o comércio com a região diminuiu em aproximadamente 30%.

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