Setor têxtil estima superávit comercial de US$ 100 milhões neste ano
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2000
Por Paula Puliti 
São Paulo, 29 (AE)- Se confirmadas as projeções, o setor têxtil dará uma contribuição de US$ 100 milhões à balança comercial brasileira neste ano. O aumento das exportações de tecidos e o movimento de substituição de importações devem tirar o fluxo comercial do setor do vermelho já a partir deste ano. Em 1997, o déficit comercial na área têxtil foi de US$ 1 bilhão; em 1998, de US$ 750 milhões e, em 1999, de US$ 300 milhões. Desde meados da década de 90, o setor tem sofrido forte concorrência do produto asiático, mais barato. A desvalorização cambial e os altos investimentos em modernização, entretanto, devem mudar o cenário. "Queremos registrar superávits anuais de US$ 1 bilhão a partir de 2002", afirma o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil, Paulo Skaf.
A meta do setor é retomar, até 2003, a participação de 1% do mercado mundial de têxteis, registrada nos anos 80, o que significa exportações anuais de US$ 4 bilhões. Em dezembro do ano passado, as exportações cresceram 26% ante o mesmo período de 1998. Em janeiro, o aumento também foi de 26%. O Brasil, devido à concorrência, tem hoje apenas 0,4% do comércio mundial ligado ao setor têxtil, em uma cadeia que inclui desde o produtor de algodão até a indústria do vestuário. A estratégia do setor para aumentar as exportações é vender produtos de maior valor agregado, como moda-praia, lingeries, toalhas, lençois, meias e camisas.
Segundo Skaf, o setor investiu US$ 7 bilhões em tecnologia e capacitação nos últimos sete anos e projeta aplicar outros US$ 10 bilhões em oito anos. "A indústria se modernizou para competir", afirma Skaf. Essa modernização, aliada ao câmbio desfavorável para compras externas, tem tornado o produto nacional mais atraente. "Para a indústria, é muito mais fácil adquirir produtos dentro do País. Além de eliminar a burocracia de importação, questões como redução nos prazos de entrega, flexibilidade de crédito e a melhoria na qualidade do produto têm contribuído para o aumento da utilização da produção nacional no mercado interno", destaca o presidente da Abit.
No ano passado, o faturamento da indústria têxtil com vendas internas cresceu 5,6%, número que deve se repetir neste ano, puxado pelos segmentos de confecção do lar e vestuário de fibra de algodão. De acordo com a Abit, a substituição das importações já é bem observada com os números da produção de fibras de algodão, que deve encerrar o ano em 550 mil toneladas ante 300 mil t produzidas em 1997. No segmento de algodão em pluma (matéria-prima), o Brasil deve ganhar auto-suficiência em três anos, com uma produção entre 800 mil e 900 mil toneladas.
Na avaliação do analista Pascoal Paione, da Fator Doria Atherino, a recuperação do setor têxtil foi fortemente induzida pela queda nos preços do algodão no mercado internacional. Para ele, a alta em dólar do algodão entre 1990 e 1998 acabou reduzindo a lavoura brasileira, obrigando a indústria a importar. No ano passado, ao mesmo tempo em que caia o preço do algodão, houve aumento da área produzida e consequente fortalecimento das compras internas. Sozinho, o algodão é responsável por 85% do custo de produção de têxteis.
Recuperação - Analistas do mercado financeiro acreditam que, neste ano, a indústria têxtil vai registrar aumento de vendas, margens maiores e redução na despesa financeira. Pelas contas do analista Fábio Alperowitch, sócio-diretor da Fama Investimentos, o percentual médio de exportações do setor têxtil brasileiro deve crescer de 20% para 50% da receita das principais empresas têxteis, o que significa maior entrada de reais na contabilidade.
Para ele, embora a desvalorização cambial de janeiro de 1999 tenha aumentado o endividamento das empresas que contraíram empréstimos em dólar, a diminuição das importações no setor e a maior receita em dólar por parte das exportadoras têm ajudado a melhorar as margens das empresas. Paione, da Fator, afirma que a forte competição ao londo desta década obrigou um número significativo de empresas a fechar.
As que sobreviveram tiveram de se endividar para investir em modernização e corte de custos. Nesse período, a alta dos juros internos, um dos efeitos da crise asiática, teve impacto forte no resultados das empresas, que viram suas despesas financeiras aumentar drastricamente, reduzindo em 70% o lucro médio das empresas. "Tudo indica que o impacto das despesas financeiras será melhor neste ano", afirma. Para ele, a "década negra" para o setor, que obrigou investimentos bilionários em equipamentos, resultou em empresas mais enxutas e agéis para competir no mercado internacional. 1


