Setor têxtil deve crescer de 10% a 12% em 99, diz pesquisa
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terça-feira, 06 de julho de 1999
Por Milton F.da Rocha Filho 
São Paulo, 7 (AE) - O setor têxtil brasileiro projeta encerrar o ano de 99 com crescimento no faturamento de vendas de 10 a 12% em relação ao ano passado; e estima que no médio prazo, dentro de três anos, estará mais forte e rentável do que atualmente, com um parque industrial moderno e com crescimento moderado de emprego, diz pesquisa realizada pela H2R para a Coordenação da Indústria Têxtil e Rhodia Poliamida. Na mesma pesquisa os empresários entendem que para o crescimento, a reforma tributária é fundamental porque desonerará a produção e estimulará os investimentos e o aumento de vendas.
Essa avaliação otimista consta da pesquisa da H2R Pesquisas Avançadas, junto ao público que participou da Fenit/Fenatec 99. Foram ouvidos 400 executivos e empresários de toda a cadeia têxtil - desde as matérias-primas (fios e fibras) até o varejo e a tabulação foi concluida agora.
Segundo o vice-presidente da Rhodia Poliamida, Jean Louis Bourdon, "hoje é consenso em todo o setor têxtil que a carga de impostos é um entrave para o crescimento. A cadeia têxtil é longa e os impostos se multiplicam, tornando urgente a necessidade de uma ampla reforma tributária".
De acordo com a pesquisa, 68% dos entrevistados dizem que venderão mais em peças e quilos de produtos do que fizeram em 1998, especialmente no segundo semestre. Tal resultado se deverá, segundo os pesquisados, aos custos mais competitivos, à modernização do setor e à redução de produtos importados, desde a desvalorização do real frente ao dólar.
O setor, segundo 86% dos pesquisados, está mais moderno do que há cinco anos, com a incorporação de máquinas mais modernas, com tecnologia e melhoria na qualidade de tecidos. "A expectativa para o futuro é a de que o setor estará mais forte e rentável, segundo 82% dos entrevistados, fundamentalmente porque há perspectivas de crescimento, o produto nacional está melhorando e novas tecnologias e equipamentos estão sendo instalados, além de o valor agregado dos produtos também estar crescendo", avalia o diretor da H2R Pesquisas Avançadas, Rubens Hanun.
O pesquisador admitiu também que o crescimento no setor já vinha ocorrendo no primeiro semestre. Até abril, diz, o crescimento já se situava em 7% e agora no segundo semestre será ampliado, por isso se poderá chegar aos 10 ou 12% de evolução no faturamento sobre igual período de 98 Quanto ao emprego, 46% dos pesquisados acreditam que nos próximos três anos as empresas terão mais postos de trabalho; enquanto 26,4% acreditam que haverá menos empregados; e 25,4% pensam que não haverá mudanças nesse assunto. Entre os que acreditam em mais empregos, a alegação é de que haverá um aumento do produto nacional, melhoria da situação econômica e diminuição das importações. Quanto aos que acreditam que haverá menos empregos, a justificativa é que a tecnologia moderna ajudará a substituir a mão-de-obra.
Para garantir esse quadro favorável, 89% dos pesquisados dizem que a reforma mais importante a ser feita é a tributária, porque reduzirá a quantidade e a carga de impostos, que consideram elevada demais para o setor, contribuindo ao mesmo tempo para o aumento de vendas, o crescimento de investimentos e do número de empregos.


