Setor têxtil denuncia reajuste e pede imposto de importação menor
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 1999
Por Gecy Belmonte e Mariangela Herédia 
Brasília, 11 (AE) - A direção da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT) e 21 empresários do setor estiveram hoje com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer, solicitando a redução da alíquota do Imposto de Importação (II), que hoje é de 8% para zero, e a intermediação do governo no diálogo com o setor petroquímico, que está tentando aumentar os preços de insumos em cerca de 24%. Com a redução do II, o presidente da ABIT, Paulo Antonio Skaf, disse que será possível "minimizar e postergar" os efeitos da desvalorização cambial nos preços cobrados do consumidor.
Os dirigentes da ABIT não garantiram, no entanto, que não repassarão os reajustes que forem praticados pelos fornecedores de matérias-primas, cujo principal componente (70%) é o algodão, que o setor consome anualmente 800 mil toneladas e importa 50% desse total.
Os outros 30% para a fabricação de fibras sintéticas vêm do pólo petroquímico. Scaff disse que a variação do câmbio até agora já chegou a 60% e a redução de 8% no Imposto de Importação apenas ajuda a reduzir este impacto. Assim, explicou que se o governo concordar com a medida, o setor se compromete a não repassar integralmente os aumentos de custos decorrentes da desvalorização cambial.
O ministro Celso Lafer, que participou da entrevista coletiva com a direção da ABTI, disse que a proposta do setor têxtil é importante porque reflete a mudança provocada pela política cambial nos preços relativos da cadeia produtiva do setor. Ressaltou, contudo, que irá examinar o pedido dos empresários - incluindo a intermediação de diálogo com o setor petroquímico que se recusa a conversar, segundo Skaff, "em um quadro de escassez". O ministro lembrou que o Ministério da Fazenda está fazendo um trabalho importante para concretizar o ajuste fiscal e que a proposta deve ser examinada nesse contexto.
O presidente da ABIT disse que a cadeia produtiva resolveu se unir num "pacto de princípios" para garantir mais consumo e aumentar a exportação. Também pediu ao ministro Celso Lafer financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento e Econômico e Social (BNDES) para exportação e compra do algodão nacional. No ano passado o setor exportou US$ 1,1 bilhão, com participação de apenas 0,3% no mercado mundial de têxteis e vestuários e a meta é atingir cerca de US$ 4 bilhões no ano 2.002.


