Rio, 09 (AE) - O setor siderúrgico não considera, a princípio, ato de concentração de mercado a unificação do controle da Vale do Rio Doce, maior mineradora do País, e a Siderúrgica Nacional (CSN), maior produtora brasileira de aço plano. "O setor é tremendamente disperso no mundo todo", disse hoje o presidente do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), Antonio de Oliveira Polanczyk. Ele tentou evitar, na apresentação do resultado do setor este ano, a abordagem direta sobre a questão da fusão.
"O IBS não interfere na parte societária das empresas"
alegou. Mas lembrou que a reestruturação siderúrgica está prevista desde a privatização da Vale, em 1997. "Fala-se aqui que Vale e CSN são companhias muito grandes, mas em termos mundiais elas são pequenas."
Polanczyk, que também preside a Belgo-Mineira, siderúrgica controlada pelo Grupo Arbed, de capital belga, com sede em Luxemburgo, deixou claro que ainda não está afastada a hipótese de compra de ações da CSN pela Arbed. Com isso, o grupo europeu, terceiro no ranking mundial, com produção de 20,3 milhões de toneladas de aço por ano, pularia para a primeira posição, à frente da coreana Posco (25,2 milhões de toneladas) e da japonesa Nippon Steel (24,1 milhões de toneladas).
Cauteloso, o presidente do IBS argumentou que questões relativas à Arbed só poderiam ser respondidas pelos controladores da holding, em Luxemburgo. Polanczyk respondeu a todas as perguntas sobre compra das ações lendo um texto escrito previamente: "Ocorreram sondagens envolvendo o Grupo Arbed e acionistas da CSN, mas essas negociações não resultaram em acordo ou contrato e não se pode afirmar o que pode acontecer no futuro."
Há cerca de dois meses circulam rumores no mercado de que a Arbed estaria negociando a compra da participação do Bradesco (18%) e da Textilia, da família Steinbruch (17%) na CSN. "Negociação é uma coisa que nunca acaba", esquivou-se Polanczyk, ao falar sobre o andamento das conversas. Ele mesmo admite ter participado "de uma ou outra" reunião para negociar a compra.
O presidente do conselho de administração da Vale e da CSN, Benjamin Steinbruch, porém, tem considerado cada vez mais possível a hipótese de unificação das duas empresas. O empresário defendeu publicamente a proposta, anteontem, sob a alegação de "dar ganhos de sinergia e valor aos sócios" e citou como exemplo a operação de fusão entre as cervejarias Brahma e Antarctica para criar a Ambev.

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