Buenos Aires, 19 (AE) - Blecautes na Província do Chaco, piquetes em Entre Ríos e "tratorazos" (marchas com tratores) em Jujuy. Essas foram algumas das demostrações de força que os agropecuaristas argentinos realizaram hoje (19), como parte das manifestações de uma greve geral no setor, que será concluída na amanhã.
Essa greve será a primeira na história do país que terá a participação de todas as associações de agropecuaristas - notórias na Argentina por serem conservadoras. A magnitude do protesto é indiscutível: 60% das exportações do país são de produtos agropecuários. Além disso, o setor emprega 25% dos trabalhadores argentinos.
No Mercado de Liniers, termômetro do setor, entre a noite de domingo e a madrugada de segunda-feira somente entraram 462 cabeças de gado para abate; o normal é 12 mil. A paralisação não terá efeitos econômicos graves, mas é uma declaração de guerra sem precedentes ao governo Menem, do qual os agropecuaristas foram, até poucos meses atrás, um dos principais pilares de sustentação política.
Dívidas - O setor alega que chegou a um limite: está endividado em US$ 6 bilhões. Calcula-se que pelo menos 11 milhões de hectares estejam hipotecados. Segundo os produtores agropecuários, o plano econômico do governo provocou o abandono do campo por parte de 100 mil produtores, ou seja, 25% do total de produtores existentes em 1991.
Segundo as associações do setor, esse êxodo continuará se o governo não tomar medidas urgentes. Os produtores pedem ao governo que sejam eliminados o imposto sobre receita mínima e os juros sobre os créditos.
A greve foi organizada pelas Confederações Rurais Argentinas (CRA), a Federação Agrária Argentina (FAA) e a Coninagro, associação que reúne os pequenos e médios produtores. Além disso
também participa a poderosa Sociedade Rural Argentina (SRA), que aglutina os principais latifundiários do país. Mas não somente os argentinos estão em greve; também aderiram à paralisação muitos capitais estrangeiros instalados no país, especialmente do setor de oleaginosas.
Propostas - Na semana passada, o governo tentou deter a greve com uma série de propostas para aliviar a crise no setor, entre elas o refinanciamento das dívidas, subsídios para os juros e redução nos pedágios para os produtores. Os agropecuaristas recusaram as propostas, considerando-as "insuficientes".
Segundo uma pesquisa da MCA Comunicación, 84% dos produtores acham que este ano será "ruim". No ano passado, só 35% tinham expectativas negativas.

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