Londrina - Há três meses, a cooperativa Frimesa, de Medianeira (Oeste), vem enfrentando dificuldades para manter a produção de cortes e embutidos de suínos em função das greves em diferentes órgãos federais.
A situação mais controversa, de acordo com o diretor executivo Elias José Zydek, diz respeito a um equipamento importado da Europa ainda no primeiro semestre e que está há 80 dias parado no Porto de Paranaguá por falta de certificados emitidos pela Receita Federal.
''Enquanto um órgão do governo retém a minha mercadoria por causa da greve, outro me cobra uma taxa de permanência que eu não precisaria pagar se a máquina fosse liberada'', afirma.
A greve no Sistema de Inspeção Federal (SIF) - que voltou a funcionar - também provocou transtornos. Apenas na semana passada 11 cargas que totalizavam 270 toneladas de cortes de suínos permaneceram no frigorífico porque o SIF não emitiu os certificados necessários para a exportação. ''Não dá para medir o prejuízo de não atender um cliente e perder mercado'', critica.
Na fábrica, linhas de produção estão paradas porque os fornecedores de insumo não estão conseguindo entregar as mercadorias no prazo. Até mesmo o bloqueio da BR-277 por policiais rodoviários federais em greve influenciou a produção, visto que trabalhadores de outros municípios não conseguiram chegar à cooperativa. ''Quem quer produzir está sendo penalizado, mas continua tendo que pagar os impostos sem qualquer atraso. O problema é de gestão pública, e não da gestão das empresas. Os responsáveis, no caso o governo, precisam tomar decisões para coibir esse caos'', cobra.
No setor metalmecânico, a liberação de insumos para as indústrias metalúrgicas nos portos de Paranaguá (PR) e Itajaí (SC), mediante mandados de segurança coletivos, não têm sido suficientes para garantir o fluxo de produção normal. ''Os processos estão morosos'', aponta Valter Orsi, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Londrina (Sindimetal).
Segundo ele, o setor não trabalha com grandes estoques e, para garantir competitividade no mercado, importa componentes da China. ''Estamos sendo penalizados sem ter qualquer poder de decisão para resolver o problema'', lamenta.
Segundo ele, a cada dois dias parados num mês, as indústrias comprometem aproximadamente 10% da capacidade produtiva, o que significa que não terão lucros. ''Acima disso, entram no vermelho. E já tem empresa que ficou muito mais do que dois dias parada'', denuncia.
Apesar de reconhecer o direito de greve das categorias paralisadas, ele considera que as greves atingiram status de ''irresponsabilidade''. ''O setor privado não consegue funcionar por problemas no setor público. O prejuízo atinge as empresas e a imagem do Brasil.(C.A.)

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