Setor privado de ensino foi responsável por 1,3% do PIB
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terça-feira, 24 de agosto de 2004
Agência Folha 
Rio, RJ- O setor privado de ensino no Brasil arrecadou em 2002 com mensalidades R$ 26 bilhões e foi responsável por 1,3% do PIB. Os dados constam de um estudo da FGV (Fundação Getúlio Vargas) divulgado ontem no 2º Congresso Rio de Educação.
O estudo foi encomendado pela Federação Nacional das Escolas Particulares e mostrou também que o salário médio do trabalhador da área educacional privada é de R$ 8.148 por ano. Essa média é 34% maior do que a verificada para funcionários do setor público de ensino, cujo salário médio anual foi de R$ 6.086 em 2002, e 116% maior do que a média dos trabalhadores de todo o setor privado, que foi de R$ 3.772.
O faturamento de R$ 25,762 bilhões não significa, necessariamente, que as instituições tiveram lucro, já que a soma das despesas com pagamento de fornecedores, salários, obras, dívidas ou impostos pode ter sido maior do que o valor arrecadado.
Para o ensino básico, a pesquisa aponta uma tendência preocupante e já conhecida do setor privado: o crescimento da oferta de vagas pelas escolas aumentou ao mesmo tempo em que diminui a demanda por essas vagas.
O número de estabelecimentos de ensino particular cresceu 10,3% de 1999 a 2002 no ensino fundamental, mas a matrícula de alunos nesse mesmo setor diminuiu 1,3% no mesmo período. No ensino médio, a tendência foi a mesma: houve crescimento de 11,2% nos estabelecimentos privados, mas queda de 8,3% nas matrículas nessas instituições.
Para Salomão Quadros, coordenador de análises econômicas da FGV, um dos fatores da queda no número de alunos é a diminuição, principalmente na classe média, do número de filhos por mulher. Outra explicação é que a renda média vem caindo desde 1996, segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE.
Do faturamento total com mensalidades, no valor de R$ 25,762 bilhões, R$ 10,614 (ou 41,2% do total) são referentes a despesas pagas a outros fornecedores, como compra de giz, cadeiras, computadores, ou seja, serviços e mercadorias que não são produzidos diretamente pela escola.
No cálculo dos restantes R$ 15,148 bilhões (ou 58,8% do total), entram despesas próprias do serviço prestado pelas escolas, como o pagamento de salários aos professores e funcionários.
O cálculo da participação do setor privado de educação no PIB é feito com base nesses R$ 15,148 bilhões porque as demais despesas foram geradas por outros setores da economia.
A participação de 1,3% do PIB do setor privado de educação é superior, por exemplo, à participação do setor de saúde privada, que responde por 1,0% do PIB.


