São Paulo, 14 (AE) - Dados preliminares dos levantamentos do Fórum de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva de Plástico indicam que o setor deverá investir entre US$ 4,662 bilhões e US$ 11,250 bilhões até 2004. O estudo faz projeções com base em baixos ou altos aportes de capital, por isso a variação de previsões. Em 2004, a indústria de resinas termoplásticas estará produzindo de 5,680 milhões toneladas/ano a 8,613 milhões toneladas/ano. Nesse caso, os investimentos previstos são da ordem de US$ 1,825 bilhão até US$ 4,404 bilhões - já contabilizados no total de até US$ 11,250 bilhões de novos investimentos.
No ano passado, a produção total de resinas chegou a 3 615 milhões toneladas/ano, para uma capacidade instalada de 4 437 milhões toneladas/ano. "A produção será mais do que duplicada, pois contaremos com a operação de cinco pólos petroquímicos no País", afirma o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Plástico (Abiplast), Merheg Cachum, que divulgou hoje os números.
Para sustentar o crescimento da indústria de termoplásticos, as centrais petroquímicas, como Copene, Copesul e PqU, deverão investir de US$ 1,251 bilhão a US$ 3,020 bilhões para o aumento da produção de eteno, matéria-prima das resinas. Hoje a capacidade instalada para a produção de eteno das três centrais é de 2,479 milhões t/ano, muito aquém da capacidade instalada da indústria brasileira de resinas, consolidada em 4 437 milhões t/ano.
Já a indústria de transformação das resinas em bens de consumo intermediário ou final, terão que investir de US$ 1,585 bilhão a US$ 3,826 bilhões. Como é essa ponta da cadeia que mais gera empregos no setor petroquímico, Cachum estima que tais aportes de capital deverão abrir 40 mil postos de trabalho, nesses cinco anos. As centrais petroquímicas, as indústrias de resinas e as de máquinas, por exemplo, geram poucos empregos, porque são totalmente automatizadas.
O Fórum, coordenado pela Secretaria de Política Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, reúne representantes do setor formado pelas centrais petroquímicas, as indústrias de resinas, da transformação, de máquinas e trabalhadores. Seu obejtivo é centralizar as demandas de cada setor da economia brasileira, e por meio da Secretaria buscar soluções nos vários órgãos do Executivo.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é um deles. Merheg Cachum avalia que grande parte do financiamneto necessário ao crescimento da indústria de transformação poderá ser aportada pelo BNDES. "Mas a forma de empréstimo deverá ser revista. Quanto ao valor, por exemplo, cujo piso é de R$ 7 milhões. Não precisamos de um crédito tão alto, com o qual pode-se construir uma média empresa", calcula.
Mais de 60% das cerca de 5.700 indústrias de transformação de plásticos no Brasil são de pequeno porte ou micro empresas. O investimento inicial para esse tipo de empreendimento é estimado em um terço do valor mínimo para empréstimo do BNDES, e até menos do que isso, revela o presidente da Abiplast.
A projeção de crescimento do setor leva em conta o consumo anual per capita de plásticos no País, de 22,9 quilos, enquanto na Argentina é de 34,98 quilos e nos Estados Unidos de mais de 100 quilos. "Há muito espaço a conquistar. O PIB do setor plástico costuma ser três vezes maior do que o geral da indústria brasileira", considera Merheg Cachum. No ano passado, a indústria de transformação cresceu 7%, mantendo os índices dos anos anteriores, de 7% a 8%.

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