Rio, 12 (AE) - O blecaute desta quinta-feira pode repetir-se porque o setor energético está desorganizado e necessita de investimentos em equipamento e quadro técnico. A conclusão é de representantes do Programa de Planejamento Energético da Coordenação de Pós-graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ) e do Instituto de Estudos Estratégicos do Setor Elétrico, ONG integrada por engenheiros e técnicos de Furnas. Os especialistas se reuniram hoje no câmpus da universidade, na Ilha do Fundão, na zona norte, para discutir o blecaute, mas o encontro foi às escuras, porque faltou luz.
O professor da Coppe Maurício Tolmasquin explicou que só a Operadora Nacional do Sistema (ONS) pode dizer o motivo do blecaute, mas adiantou que, com a privatização das distribuidoras de energia, o setor se desestruturou. "Se antes só o Estado tomava as decisões na área, agora as empresas agem por si e ainda não aprenderam a atuar conjuntamente." Além disso, havia uma expectativa de que os novos donos das empresas energéticas fizessem investimentos, o que não ocorreu. "Somando isso ao baixo nível de muitos reservatórios, criaram-se condições para este blecaute, que pode repetir-se novamente."
Tolmasquin disse que o setor energético trabalha normalmente com uma possibilidade de falha de 5%. Com o aumento da demanda ocorrido nos últimos anos, a falta de investimentos e do diálogo entre as distribuidoras privatizadas esse risco cresceu para 10% a 15%. "A solução virá com investimentos do Estado ou da iniciativa privada, mas por enquanto isto não está acontecendo."

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