Setor empresarial chamado a participar
DivulgaçãoPrecariedadeO Parque Nacional do Iguaçu, o mais visitado no Brasil, recebeu apenas 878 mil turistas em 1995. Nos Estados Unidos, o parque mais visitado recebeu 9,2 milhões em 1996Além das ações junto ao Congresso e ao governo, o WWF pretende levar a campanha Vamos tirar os parques do papel ao setor empresarial. A proposta em discussão é estabelecer parcerias com o poder público que assegure a implementação dos parques. O Fundo Mundial para Natureza também espera a adesão da sociedade na valorização de áreas protegidas, participando da sua criação, implementação e conservação.
Para o WWF, a precariedade dos parques brasileiros atrapalha seu uso educativo, científico e turístico. Só para se ter uma idéia, enquanto o parque mais visitado nos Estados Unidos, o Great Smoky Moutains, recebeu, em 1996, 9,2 milhões de pessoas, o Parque Nacional do Iguaçu, o mais visitado no Brasil, recebeu em 1995 apenas 878 mil turistas.
As 88 unidades analisadas pelo WWF cobrem quase 16 milhões de hectares, mas dispõem de apenas 583 funcionários, o que dá uma média de 0,00003 funcionário por hectare. Além de poucos, os funcionários estão mal distribuídos, segundo o estudo. Há parques como o Jaú, na Amazônia, que tem o tamanho de Sergipe, mas conta apenas com cinco funcionários, enquanto o Parque Nacional de Brasília, que é 75 vezes menos, tem cerca de 60 funcionários. Além de um papel educacional, ressalta o WWF, as unidades de conservação fornecem ainda outros serviços, como a proteção de mananciais. O Parque Nacional de Brasília protege a represa que abastece metade da capital do País, por exemplo.
A primeira área protegida no mundo, o Parque Nacional de Yellowstone, foi criado em 1872 nos Estados Unidos. Originalmente, as áreas protegidas tinham o objetivo de manter intactas para as gerações futuras as mais belas paisagens. Com o passar do tempo, percebeu-se que não há mais no mundo paisagens intactas e que não apenas as belas paisagens mereciam ser conservadas, pois áreas talvez não tão bonitas, como por exemplo os mangues, exercem funções fundamentais na manutenção dos ecossistemas e do equilíbrio ecológico.
Atualmente, as áreas protegidas ou unidades de conservação, como são chamadas no Brasil, são espaços destinados à conservação de parcelas da biodiversidade presente numa região. De acordo com o WWF, o Brasil protege desigualmente seus biomas. A maior extensão protegida está na Região Norte, com 3,51%, e os pesquisadores argumentam que não é difícil entender porque na Amazônia, onde ainda há muitos ecossistemas conservados e uma menor pressão de ocupação humana, é mais fácil criar áreas protegidas abrangendo várias extensões.
O quadro é diferente na costa brasileira, por exemplo, onde há poucos remanescentes de Mata Atlântica e muita pressão antrópica. E também no Cerrado e na Caatinga, onde a proteção atinge apenas 0,37% e 0,57% da área total, respectivamente. O WWF considera fundamental o estabelecimento de novas áreas protegidas que possam abranger porções mais significativas dos ecossistemas brasileiros, principalmente nos biomas esquecidos como o cerrado e a caatinga. (M.H.)





