Setor de teles quer lançar programa exportador em março
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 1999
por Renata de Freitas 
São Paulo, 12 (AE) - A indústria de equipamentos de telecomunicações pretende lançar em março um programa de exportações. O tema será discutido com os Ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e das Comunicações, Câmara de Comércio Exterior (Camex), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) num grande encontro que está sendo organizado pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).
Segundo executivo do setor ouvido pela Agência Estado, os mercados-alvo para os produtos brasileiros serão a América Latina e a áfrica. Além de aparelhos celulares e centrais públicas, a indústria nacional acredita que haja demanda por equipamentos de rádiotransmissão.
Para divulgar os produtos, a Abinee já começou a elaborar um catálogo que será distribuído a partir do segundo semestre. O objetivo da Abinee é trabalhar em colaboração com as representações diplomáticas brasileiras no exterior.
"O governo tem procurado a indústria eletroeletrônica para estimular as exportações e reduzir as importações", afirmou o executivo. Nenhum incentivo foi ainda definido para esse programa.
As exportações do setor somaram US$ 303 milhões no ano passado e as importações, US$ 1,8 bilhão. As exportações aumentaram em 50%, enquanto as importações caíram 10%.
Com a desvalorização do real, a expectativa do setor é que as importações caiam ainda mais, embora tenham que ser mantidas as compras externas de componentes. Um dos fatores de queda nas importações pode vir a ser o interesse particular das operadoras telefônicas na fabricação local de softwares e sistemas integrados, temendo dificuldades na aquisição desses produtos do exterior. Segundo o executivo, as operadoras querem que as empresas brasileiras fabriquem esses bens ou tragam fornecedores estrangeiros para o País.
Outros produtos que eram importados já conquistaram alguns parques industriais no Brasil, como os enlaces de telefonia celular com fixa (SDH) e rádios de microondas. Esse é mais um fator positivo para a redução das importações nas telecomunicações.
O executivo explicou que a iniciativa partiu de empresários que já previam a desvalorização do real. Outras empresas que não acreditaram na mudança cambial hoje estão correndo atrás de projetos de última hora. Preços - O impacto da desvalorização do real sobre os preços dos equipamentos de telecomunicações ainda não foi calculado pela indústria. Numa reunião realizada nos últimos dias entre fabricantes e economistas, a avaliação foi que a moeda ainda vai demorar de dois a três meses para se estabilizar, provavelmente no patamar de R$ 1,60 por dólar.
Por enquanto, as negociações estão sendo feitas na base de dividir perdas provocadas pela alta do dólar. A perspectiva da indústria de telecomunicações é obter ganhos de escala com o grande volume de encomendas esperado para este ano.


