Brasília, 07 (AE) - O setor de serviços é o campeão de investimentos estrangeiros diretos que entram no Brasil. Mais da metade deste dinheiro que ingressou no País no primeiro bimestre do ano foi direcionado para o setor de serviços. Até fevereiro, entraram US$ 4,79 bilhões em investimentos diretos, dos quais US$ 2,64 bilhões foram destinados para o segmento. No total dos ingressos, a parcela destinada a privatizações somou apenas US$ 158 milhões pela venda da Companhia de Eletricidade de Pernambuco (Celpe).
Os dados constam de levantamento recente feito pelo Banco Central, que foi obtido pelo Estado. De acordo com os estudos, 56,9% das operações de investimentos estrangeiros diretos feitas no primeiro bimestre, com valores acima de US$ 5 milhões e que não levam em consideração o dinheiro que ingressou por conta de privatização foram para o setor de serviços. A indústria recebeu nos primeiros dois meses do ano US$ 1,34 bilhão, o equivalente a 28,9% do total de investimentos. Os setores de agricultura, precuária e extração mineral receberam apenas 2,7% dos recursos : US$ 125 milhões.
Pela primeira vez, nos estudos sobre capital estrangeiro
o BC reduziu de US$ 10 milhões para US$ 5 milhões o valor mínimo dos investimentos estrangeiros diretos que são discriminados por setores da economia. A mudança no critério de avaliação permitiu maior clareza dos dados e revelou que o Brasil está cada vez mais recebendo investimentos estrangeiros de menor valor e mais pulverizados pelos diversos setores da economia, deixando de se concentrar, como no passado, na indústria pesada.
"Quando analisávamos apenas as operações acima de US$ 10 milhões muita coisa ficava de fora", disse o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes. Segundo ele, há claramente uma mudança na percepção do investidor externo em relação ao Brasil. "Os investidores estrangeiros estão percebendo que os pequenos negócios são atrativos", afirmou Lopes.
Internet - O exemplo mais forte dessa mudança no mapa do capital estrangeiro é o volume de dólares que entrou no País para investimentos em provedores de Internet. Nada menos que US$ 345 milhões ingressaram em apenas dois meses. "Esse é um campo completamente novo e os números mostram que o investidor externo está de olho no Brasil", destacou Lopes.
Os dados também mostram que os investimentos para o segmento de turismo são igualmente crescentes, embora ainda não sejam valores elevados. Para o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, o levantamento confirma que o setor de serviços se tornou "a grande oportunidade de investimentos na economia brasileira". "O setor de serviços esteve dormindo por muito tempo para os investidores estrangeiros e até mesmo para investidores domésticos", ressaltou ele.
Os sinais positivos na economia proporcionados pelo crescimento dos investimentos no setor de serviços, segundo avaliou, já podem ser observados. Esse é o caso, por exemplo, da área de abastecimento, que nos últimos anos tem recebido investimentos grandes de fora do País. "Hoje os supermercados têm serviços mais diferenciados e de melhor qualidade", disse.
O levantamento do BC também mostrou que US$ 535 milhões do total dos investimentos são referentes a operações inferiores a US$ 5 milhões que não foram levadas em consideração pelo estudo. O valor, no entanto, indica uma grande pulverização dos investimentos. Para Lopes, essa pulverização é saudável para a economia brasileira.
Segundo ele, a redução dos valores usados no levantamento faz parte do esforço que está sendo feito pelo BC para mapear melhor o direcionamento dos recursos. O diretor de Assuntos Internacionais do BC, Daniel Gleizer, já adiantou que o banco pretente criar um sistema de registro eletrônico para os investimentos estrangeiros diretos. Com isso, o BC vai saber, no momento que o investimento entrar no País para qual setor é destinado.

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