São Paulo, 08 (AE) - Depois de ajustar seus preços na média de 18% por conta da desvalorização cambial, os fabricantes de resinas vão esperar até abril para decidir se repassarão o aumento de 26% promovido pelo governo na preço da nafta, principal insumo da indústria petroquímica. Até lá, o setor manterá as tabelas, já com os aumentos embutidos, conforme acordo feito com a indústria de transformação do plástico.
"Em abril o setor vai analisar o mercado para saber se existe espaço para novos ajustes", disse o presidente do Instituto Nacional do Plástico e diretor da OPP, Alexandrino de Alencar.
O aumento das resinas ocorreu antes da alta de 26% na nafta, com a justificativa de que o setor precisava aproximar seus preços das cotações internacionais. Por isso, para o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Cláudio Considera, não há necessidade de repasse da alta da nafta.
Ele argumenta que o aumento já realizado é capaz de absorver os custos maiores. Entretanto, o ponto de vista de Alencar é outro: "O que faz o preço é o mercado, não é o custo".
Segundo o presidente da Associação Nacional da Indústria de Plásticos (Abiplast), Merheg Cachum, os transformadores ainda não repassaram todo o ajuste das resinas, principal matéria prima do setor. Mas ele avisa: "O repasse é inevitável".
Conforme o diretor executivo da Abiplast, Ronald Caputo, a indústria de automóveis e os fabricantes de eletroeletrônicos não estão aceitando pagar mais pela resina, o que, vem causando desabastecimento, sobretudo no mercado de autopeças.
Para a entidade, porém, a situação não é duradoura. "Mais cedo ou mais tarde as montadoras e a indústria de eletroeletrônicos vão ter que aceitar o repasse", afirma Cachum.

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