São Paulo, 30 (AE) - O otimismo que faz o governo acreditar em crescimento de 3% a 4% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano também anima o setor de plásticos, um dos termômetros da economia do País, com influência em praticamente todos os ramos de atividade. O segmento de resinas termoplásticas avalia que não faltará matéria-prima.
Já o setor de transformação das resinas em bens de consumo, como embalagens e utilidades domésticas, teme a escassez. E explica. A queda do dólar, somada aos reajustes salariais entre 6% e 10%, pode resultar em expressivo aumento de consumo. "Temos excedentes de 950 mil toneladas ao ano de matérias-primas e damos prioridade ao mercado interno", rebate o diretor do Sindicato das Indústrias de Resinas Sintéticas do Estado de São Paulo (Siresp), Alexandrino de Alencar.
A maioria das indústrias petroquímicas, afirma Alexandrino, está utilizando de 95% a 100% da capacidade instalada neste trimestre, produzindo o suficiente para suprir o mercado interno, mesmo que ele venha a crescer, de 6% a 7% ao ano, o que significa um acréscimo de 200 mil toneladas (a produção de uma unidade de porte médio por ano).
Os cinco sindicatos das indústrias transformadoras de plásticos consultados, porém, apostam em crescimento até maior já no primeiro trimestre, entre 5% e 10% de janeiro a março, em relação ao mesmo período do ano passado. Eles pressionam por uma válvula de escape, que seria a importação.
Estoques - Tanto a indústria de resinas quanto a de transformação de plásticos iniciaram o ano com estoques altos. Segundo o mercado, isso ocorreu porque os produtores de bens plásticos se anteciparam ao aumento de 10% das resinas, anunciado em dezembro, mas aplicado em janeiro.
"Nossas vendas não estão acompanhando o ritmo do comércio, que está aquecido. Mesmo assim, ocupamos 100% da capacidade total, porque podemos exportar o excedente", diz o diretor do Siresp. Em 1998, foram exportadas 550 mil toneladas de resinas.
No ano passado, a ampliação da produção nos pólos petroquímicos aumentou a oferta no mercado interno para mais 600 mil t/ano. Somadas as exportações e a nova oferta, o total de resinas excedente é de 1,150 milhão t/ano.
O temor dos transformadores de plásticos em relação à falta de produto tem outra explicação. "Queremos que o governo reduza a alíquota de importação da matéria-prima e nos deixe comprar onde quisermos. Não pretendemos influenciar a política dos nossos fornecedores internos, mas queremos procurar o melhor preço", garante o presidente do Sindicato da Indústria de Material Plástico do Rio de Janeiro, Gilberto Jamarillo.
Sem guerra - Em Minas Gerais, as indústrias trabalham a 90% da capacidade. Principalmente as de embalagens, observa o presidente do Sindicato da Indústria de Material Plástico de Minas Gerais, Carlos Henrique Pereira. "Nossa previsão é de que neste trimestre o crescimento seja de 10% sobre o resultado dos primeiros três meses de 1999."
A transformação de plásticos em embalagens em Minas consome de 6.000 a 7.000 toneladas/mês, e 80% do produto é comercializado no próprio Estado. "Aqui, não temos problemas de guerra fiscal", garante Carlos Pereira.