Setor de pager perde 350 mil assinantes este ano
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sexta-feira, 12 de novembro de 1999
Por Renata de Freitas 
São Paulo, 12 (AE) - O setor de pager passa por uma crise que resultou na redução de 1,2 milhão de assinantes em 1998 para 850 mil este ano, com queda de 20% na receita. O presidente da Associação Brasileira de Rádio Chamada (Abrac), Ely da Costa Falcão, atribui essa crise a dois fatores: a popularização do celular e a redução do poder aquisitivo da população. "A redução é drástica", admitiu Falcão.
Esse cenário pode se agravar com a autorização iminente do serviço de mensagens curtas pelo celular, que já está funcionando em caráter experimental em algumas regiões do País. Para o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Renato Guerreiro, a solução para o setor de pager é baixar a assinatura mensal.
A adição de novos serviços no celular é inevitável, segundo Guerreiro. A Anatel quer trocar as concessões das operadoras de celular por autorizações para permitir a inclusão de novos serviços, segundo o presidente da Associação das Empresas de Telefonia Celular (Acel), Luís Garcia. O impacto dessa troca ainda não foi totalmente avaliado pela Acel.
"As empresas de celular estão ansiosas para oferecer mais essa facilidade, e é absolutamente compreensível, porque não se justifica que você tenha a possibilidade tecnológica de oferecer alguma coisa a mais para o seu cliente e que a regulamentação crie algum tipo de obstáculo", declarou Guerreiro. "Mas a possibilidade de colocar mensagens curtas numa plataforma celular cria um certo impacto no negócio pager"
acrescentou.
A estimativa da Abrac é que a receita do setor caia de R$ 500 milhões em 1998 para R$ 400 milhões este ano. A proposta da Anatel é que as operadoras de pager reduzam o valor da assinatura mensal, atraindo consumidores de menor poder aquisitivo que não podem pagar o celular. "Hoje os filhos de classe média usam celular, mas talvez os filhos das pessoas de classe mais baixa possam usar um pager, afinal de contas não temos na sociedade toda o mesmo potencial econômico", disse Guerreiro.
"Entre ter o pager com uma assinatura de R$ 30 e um celular pagando R$ 37 só para receber mensagem, é melhor ter o celular porque, além de receber mensagem, você não paga a chamada que recebe", comentou o presidente da Anatel. Mas Falcão alega que os usuários de pager não estão podendo nem pagar a assinatura média de R$ 25. Mesmo assim, a Abrac admite reduzir a taxa mensal desde que a Anatel garanta na regulamentação algum tipo de compensação.
Segundo Falcão, a proposta da Abrac é conseguir uma participação na receita das chamadas telefônicas destinadas ao serviço de pager. Para tanto, a Anatel atribuiria uma série de números de telefones ao serviço de pager, facilitando a contabilização da receita. "Isso não é fácil", reconheceu o presidente da Abrac. A proposta foi apresentada há oito meses à Anatel e ainda está sendo negociada. "Já avançou", disse. Depois de reuniões entre técnicos da Anatel e da Abrac, o tema será levado aos conselheiros do órgão regulador das telecomunicações em data ainda não definida, segundo Falcão.
O presidente da Anatel explicou que o impacto da popularização do celular sobre o setor de pager aconteceu também na Europa por causa do sistema de quem liga, paga. "Se o celular não tivesse esse sistema de pagamento, estaria muito menos popularizado e haveria mais espaço para a existência do pager", admitiu.
Ele observou, no entanto, que todos os avanços tecnológicos foram assimilados pelo pager no Brasil. "O que pudermos aproveitar de solução que tenha sido adotada em outros lugares, a gente ajusta a regulamentação e vamos em frente", declarou.


