Setor de hospitais e laboratórios reivindicam acordo similar ao fechado com farmacêutico
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quinta-feira, 04 de fevereiro de 1999
Por Gabriela Scheinberg, especial para a AE 
São Paulo, 04 (AE) - Representantes do setor de hospitais e laboratórios de análises clínicas estão propondo um acordo com o governo similar ao que os laboratórios farmacêuticos efetuaram esta semana, no qual o repasse de custos ao consumidor será feito em três vezes, a partir de março. A maioria dos equipamentos usados em instituições do setor, assim como seus insumos, é importada e teve reajustes decorrentes da desvalorização do real em relação ao dólar. "Não podemos repassar o aumento do custo, pois atendemos os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS)", informou Dante Montagnana, presidente do Sindicato dos Hospitais, Clínicas de Saúde e Laboratórios de Análises Clínicas do Estado de São Paulo (Sindhosp).
"Se não houver uma solução, muitos locais vão parar de atender o SUS", adverte Montagnana, informando que não há reajuste na tabela de preços do sistema desde 94. "Em 97, o governo aumentou os preços em 25%, mas apenas de alguns procedimentos", disse. Segundo a Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, não houve ainda pedido do setor para formular acordo. Caso haja, a secretaria antecipa que cada segmento do setor terá de ser avaliado cuidadosamente.
Montagnana declarou que o Ministério da Saúde também não repassou aos hospitais a parcela referente aos procedimentos realizados em dezembro. No entanto, o Ministério da Saúde informou, por meio de sua Assessoria de Imprensa, que não houve atrasos dos recursos do SUS aos hospitais. Equipamentos - Uma parte importante de todos os hospitais são os equipamentos de radiologia, como os aparelhos usados em tomografia computadorizada. Nesses casos, muitas instituições parcelaram a compra dos equipamentos, que são importados. "Não temos outra saída a não ser aumentar o preços dos exames", disse Armando de Abreu, presidente do Colégio Brasileiro de Radiologia.
A situação também afeta os laboratórios de análises clínicas. "A maioria dos reagentes usados nos procedimentos são importados e não podemos mudar a metodologia dos exames, pois estaríamos afetando a qualidade dos resultados", ressaltou Paulo Campana, proprietário do Centro de Patologia Clínica Campana, em São Paulo. "Vamos conversar com nossos fornecedores para chegar a um acordo", disse.


